CIA auxilia 'ponte aérea' que leva armas a forças anti-Assad

Com apoio dos EUA, turcos e árabes operam rotas de aviões que ampliam poder de fogo dos insurgentes sírios

C. J. CHIVERS, ERIC SCHMITT, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h06

Com a ajuda da CIA, governos árabes e a Turquia intensificaram sua ajuda militar aos combatentes de oposição na Síria nos últimos meses, ampliando uma ponte aérea secreta para o transporte de armas e equipamentos usados na insurgência contra o presidente Bashar Assad. As informações foram obtidas com dados do tráfego aéreo e entrevistas com autoridades de vários países e comandantes rebeldes.

A ponte aérea, que começou em pequena escala no início de 2012 e continuou intermitentemente até setembro, ampliou-se para um fluxo muito mais pesado e regular no fim do ano, conforme mostram os dados. Ela cresceu para incluir mais de 160 voos de aviões cargueiros de tipo militar da Jordânia, Arábia Saudita e Catar. As aeronaves pousam principalmente no Aeroporto de Esenboga, perto de Ancara, além de outras regiões turcas e jordanianas.

A evolução da linha aérea acompanhou as transformações da guerra no interior da Síria - em meados do ano passado, forças do regime de Bashar Assad perderam controle sobre regiões do norte do país. Apesar de o governo Barack Obama ter se recusado publicamente a dar mais que uma ajuda "não letal" aos rebeldes, o envolvimento da CIA nos carregamentos de armas - ainda que mais num papel consultivo, segundo autoridades americanas - mostrou que os EUA estão mais dispostos a ajudar seus aliados árabe a apoiarem o lado letal da guerra civil.

De escritórios em locais secretos, agentes americanos ajudaram os governos árabes a adquirir armas, incluindo uma grande compra da Croácia. Washington também passou a controlar comandantes e grupos rebeldes que deveriam receber o armamento, segundo agentes americanos que falaram sob a condição do anonimato. A CIA não quis comentar o caso.

Os carregamentos também reforçam a competição pelo futuro da Síria entre Estados muçulmanos sunitas e o Irã, a teocracia xiita que continua sendo o principal aliado de Assad. O secretário americano de Estado, John Kerry, pressionou o Iraque, no domingo, a fazer mais para barrar os envios de armas iranianas que cruzam o espaço aéreo iraquiano.

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