T. Mughal/Efe
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CIA dá a senadores americanos acesso às imagens de Bin Laden executado

Congressistas dos EUA qualificam de ''horrendas'' e ''macabras'' fotos do corpo de terrorista da Al-Qaeda que teriam sido feitas pouco antes de ele ser jogado ao mar; republicanos criticam Casa Branca por manter veto à divulgação

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

As fotos do corpo de Osama bin Laden foram exibidas para um grupo de senadores americanos ontem. Alguns deles, que classificaram as imagens como macabras, disseram ser possível divulgar publicamente as que foram feitas no porta-aviões antes de o corpo do saudita ser jogado ao mar.

"Elas são horrendas, claro, afinal foram tiradas logo depois do incidente", disse o senador republicano James Inhof, que integra a Comissão de Serviços Armados do Congresso americano. Segundo o parlamentar, não há dúvida de que se trata de Bin Laden. "Muitas pessoas que querem ver as fotos e eu as vi. Era ele. Está morto, virou história."

Na avaliação dele e de outras pessoas que viram cerca de 15 imagens, as fotos tiradas já no porta-aviões americano no Mar da Arábia exibem o corpo de Bin Laden depois de ser lavado e poderiam ser publicadas porque dá para verificar claramente que se trata do saudita. Além disso, a imagem não é tão pesada quanto as tiradas logo depois da ação dos Seals, no Paquistão, dia 1.º.

"Eu não compro essa ideia da Casa Branca de que a divulgação irritaria os terroristas. Eles tentam nos matar de qualquer maneira. Foram 32 tentativas de atacar os EUA desde o 11 de Setembro, sendo muitas delas com planos sofisticados", disse o senador republicano.

A decisão de exibir as fotos aos parlamentares tem o objetivo de reduzir a pressão para que as imagens sejam tornadas públicas. O governo dos EUA teme que a exibição provoque ainda mais protestos no Paquistão em um momento de deterioração nas relações entre Washington e Islamabad.

Reação paquistanesa. Em Moscou, durante viagem considerada por alguns analistas como uma provocação aos Estados Unidos, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e o da Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram um pacto de cooperação na área de energia e de investimentos. Os dois também se comprometeram a atuar juntos no combate ao terrorismo.

"Nossos países são vizinhos muito próximos. Estamos localizados na mesma região. E embora não compartilhemos fronteira, nossos corações batem em um único ritmo", disse Zardari. "Chegou o momento de ressaltar a importância da cooperação na área econômica e política", acrescentou o primeiro-ministro paquistanês. Seu sogro, Ali Bhutto, pai de Benazir, quando esteve no poder nos anos 70, era um aliado da União Soviética. O regime que o enforcou se aproximou dos americanos. Segundo Medvedev, os dois países enfrentam a "mesma ameaça do terrorismo internacional".

Os EUA enviam cerca de US$ 3 bilhões por ano para o Paquistão, considerado um aliado na luta ao terror. Mas a descoberta de que Bin Laden vivia em uma área militarizada próxima a Islamabad levantou suspeitas em Washington de que autoridades paquistanesas sabiam da presença do saudita. O Paquistão, por sua vez, irritou-se por não ter sido avisado da operação em seu território.

Em outra visita que indica mudanças no tabuleiro geopolítico na Ásia Central, o premiê da Índia, Manmohan Singh, chegou ao Afeganistão. O foco do diálogo do primeiro-ministro com o presidente afegão, Hamid Karzai, será o combate ao terrorismo, além da assinatura de acordos econômicos.

A viagem irritou o Paquistão, que considera o Afeganistão um país sob sua zona de influência por causa dos laços históricos e culturais - os dois são majoritariamente muçulmanos da etnia pastun. Além disso, a visita acentua a rivalidade com a Índia.

Islamabad reivindica a região da Caxemira, de maioria islâmica, mas que, com a criação dos dois Estados na saída da Grã-Bretanha, em 1947, ficou com os indianos. Índia e Paquistão, que possuem armas nucleares, já travaram três guerras no passado.

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JAMES INHOF

SENADOR REPUBLICANO

"Elas são horrendas, afinal foram tiradas logo depois do incidente" (em referência às imagens feitas após a operação que resultou na morte de Bin Laden)

"Muitas pessoas querem ver as fotos e eu as vi. Era ele. Está morto, virou história"

"Eu não compro esta ideia da Casa Branca de que a divulgação irritaria os terroristas. Eles tentam nos matar de qualquer maneira. Foram 32 tentativas de atacar os EUA desde o 11 de Setembro, sendo muitas delas com planos sofisticados"

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