CIA demite responsável por denúncia de prisões secretas

A CIA demitiu uma importante analista de informações que confessou ter vazado os dados que levaram uma reportagem, ganhadora do Prêmio Pulitzer, sobre uma rede de prisões secretas mantida pelo governo. A responsável pelo vazamento, Mary McCarthy, era uma analista bem posicionada na hierarquia e perto da aposentadoria, segundo apuração da Associated Press. Quase que imediatamente, a demissão se transformou num fato político. O chefe do Comitê de Informações do Senado, Pat Robert, do Partido Republicano, elogiou a CIA por identificar a fonte do vazamento, e pediu investigação de outros casos. Já o senador Robert Menendez, do Partido Democrata, ironizou a demora do governo em identificar as fontes de outros vazamentos, como a das informações - que, no final, se revelaram falsas - sobre armas de destruição em massa no Iraque, ou da identidade da agente secreta Valerie Plame, casada com um crítico do governo. "Aparentemente, o presidente Bush não acredita que o que é bom para a CIA é bom para o governo", disse Menendez. Em seu último cargo na CIA, McCarthy estava ligada ao Gabinete do Inspetor Geral, apurando alegações de que a agência estaria envolvida em atos de tortura no Iraque, informa um ex-colega que pediu para não ser identificado. Sem se referir a McCarthy pelo nome, o diretor da CIA, Porter Goss, anunciou a demissão num comunicado aos funcionários, divulgado na quinta-feira. Segundo um policial que investigava o vazamento, a funcionária da CIA deu informações que levaram à reportagem do Washington Post denunciando a existência de prisões secretas mantidas pela CIA na Europa. A jornalista Dana Priest recebeu o Prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo americano, pela reportagem.

Agencia Estado,

22 Abril 2006 | 07h07

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