CIA pagou a iraniano US$ 5 milhões, diz jornal

'Post' diz que sanções ao Irã impedirão que cientista que voltou ao país movimente o dinheiro em Teerã

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2010 | 00h00

A CIA (agência de inteligência dos EUA) teria pagado US$ 5 milhões a Shahram Amiri, cientista nuclear iraniano que retornou ontem de Washington para Teerã, onde teve recepção de herói. Segundo o jornal Washington Post, citando uma autoridade americana não identificada, o valor seria o pagamento por informações fornecidas por ele aos EUA. O dinheiro estaria em uma conta em seu nome em um banco americano. Mas, com as sanções impostas ao Irã, Amiri não teria como movimentar o dinheiro em Teerã. A informação não foi confirmada pelo governo americano.

Amiri é protagonista de uma misteriosa história envolvendo EUA e Irã. O cientista desapareceu em 2009, quando peregrinava pela Arábia Saudita. Este ano, ele reapareceu em um vídeo postado no YouTube dizendo ter sido torturado pela CIA. Em seguida, em outro vídeo, ele afirmava estar bem e estudando nos EUA.

De acordo com Teerã, Amiri foi sequestrado. Segundo Washington, ele fugiu do regime e decidiu ir viver nos EUA, onde colaborou com os serviços de inteligência. No início desta semana, Amiri buscou abrigo na Embaixada do Paquistão em Washington, que representa os interesses iranianos na capital americana, pedindo para retornar ao Irã. Os EUA disseram não haver nenhuma restrição a sua saída.

Ao desembarcar na capital iraniana, Amiri não confirmou a informação do Washington Post, mas disse que recusou uma oferta de US$ 50 milhões dos americanos para que ele "espalhasse mentiras" sobre o Irã. O cientista também disse ter sido torturado por americanos e israelenses. Os EUA e Israel negam.

As autoridades americanas deram duas hipóteses para a volta do iraniano: ele teria ficado com saudades ou sua família pode ter sido ameaçada pelo regime. Analistas que defendem a CIA lembram que a agência já foi acusada de sequestros no passado, mas que nunca trouxe os sequestrados para os EUA. Em geral, eles são levados para outros países.

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