CIA põe líder iraquiano sob suspeita

Agências de inteligência dos EUA divulgam documento que levanta dúvidas sobre capacidade do premiê Maliki

NYT, Efe e Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

Um relatório divulgado ontem pelo Conselho de Inteligência Nacional, que reúne várias agências de inteligência dos EUA - incluindo a CIA -, levanta dúvidas sobre a capacidade do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, de unificar os diferentes segmentos políticos do país. O conteúdo do documento de dez páginas é um duro golpe na tentativa do presidente dos EUA,George W. Bush, de reaproximar-se de Maliki. Os desentendimentos entre os governos americano e iraquiano, até então aliados incondicionais, começaram na segunda-feira, quando o senador republicano John Warner, que havia acabado de voltar de uma viagem ao Iraque, sugeriu um cronograma de retirada gradual das tropas americanas. Na terça-feira, Bush não rebateu o senador e deixou escapar que estava "frustrado" com o governo iraquiano.Irritado, Maliki respondeu, dizendo que "ninguém tem o direito de impor prazos a seu governo". O premiê ainda fez ameaças: "O Iraque pode encontrar amigos em outros lugares." As declarações, feitas durante uma visita de Maliki à Síria, acenderam a luz amarela na Casa Branca. Na quarta-feira, Bush tratou de desfazer o mal-estar. "Maliki é um bom homem e tem todo o meu apoio", afirmou para uma platéia de veteranos de guerra. AVANÇOSEntretanto, a "Avaliação Nacional de Inteligência", nome oficial do documento divulgado ontem, pôs mais lenha na fogueira. O documento cita "melhoras modestas" no campo econômico e fala em "progressos apreciáveis, mas desiguais". No entanto, apesar dessa pequena evolução, as forças de segurança iraquianas, de acordo com o texto, ainda são incapazes de dirigir operações sem a ajuda externa.O relatório deixa claro que, se as coisas não vão bem com Maliki, pior seria sem ele. "Há uma ausência de liderança no Iraque", diz o texto. "Mas derrubar Maliki, como querem alguns políticos em Washington, poderia paralisar o governo." Na avaliação dos analistas que elaboraram o documento, o governo de Maliki se enfraquecerá ainda mais nos próximos meses e o nível geral de violência permanecerá alto. Grupos sectários, de acordo com o documento, continuarão irreconciliáveis e a Al-Qaeda seguirá promovendo ataques no país. A piora nas relações EUA-Iraque ocorre às vésperas de o comandante das tropas americanas, o general David Petraeus, apresentar ao Congresso e à Casa Branca sua avaliação sobre os resultados da estratégia lançada pelos EUA em janeiro, quando Bush enviou mais 30 mil soldados ao Iraque.Os opositores da estratégia de Bush no Iraque aproveitaram o relatório para criticar o governo. O senador John Warner defendeu novamente um prazo para a retirada das tropas. "Bush deveria anunciar essa retirada no mês que vem", disse Warner, um dos porta-vozes dos republicanos em assuntos militares no Congresso. O senador democrata Carl Levin, que viajou com Warner ao Iraque e defende a saída de Maliki do poder, ganhou o apoio da senadora Hillary Clinton, pré-candidata à presidência. "O governo de Maliki não é funcional porque é incapaz de produzir acordos políticos por estar muito ligado a grupos religiosos e sectários", disse Hillary.

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