EFE/Lenin Nolly
EFE/Lenin Nolly

CIA sabia que Pinochet mandou matar opositor Letelier

Revelação, que consta de documento secreto entregue pelos EUA ao Chile, coincide com 40º aniversário de assassinato

O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2016 | 19h56

WASHINGTON - Os EUA revelaram ontem que há décadas seus serviços secretos sabiam que foi o ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990) quem ordenou o assassinato do opositor Orlando Letelier, em Washington. A revelação coincide com o 40.º aniversário do atentado contra o ex-chanceler do governo de Salvador Allende, que havia se transformado no grande desafio do regime militar no exterior. 

O documento, de acesso público no site da biblioteca Ronald Reagan, faz parte do último pacote de arquivos desclassificados sobre o atentado contra Letelier que o Departamento de Estado dos EUA entregou ontem ao Chile por ocasião do 40.º aniversário daquele que foi o primeiro ato terrorista cometido por um governo estrangeiro em Washington.

“Uma revisão de nossos arquivos sobre o assassinato de Letelier mostrou o que consideramos como provas convincentes de que o presidente Pinochet ordenou pessoalmente que seu chefe de inteligência realizasse o assassinato”, diz a CIA em um texto datado de 1.º de maio de 1987. “Os arquivos também deixam claro que, quando a investigação das autoridades americanas determinou que integrantes do alto escalão de inteligência e do Exército do Chile eram responsáveis, Pinochet decidiu obstruir o caso para esconder seu envolvimento e, em último caso, para proteger sua presidência”, de acordo com o texto da CIA.

Este documento era o mais esperado no Chile, pois prova que foi o próprio Pinochet quem deu a ordem para assassinar Letelier. No atentado, além do ex-chanceler também morreu sua jovem assistente, a americana Ronni Moffitt.

Ao ser questionado sobre os documentos divulgados, Juan Pablo Letelier, um dos quatro filhos do ex-chanceler e senador do Partido Socialista do Chile, disse que “os documentos são muito importantes e confirmam fatos, nomes, e que Pinochet foi quem deu a ordem para cometer este ato de terrorismo de Estado”.

O senador espera que a revelação do documento da CIA sirva para que o agente americano Michael Townley, autor material do atentado, seja extraditado ao Chile, assim como o oficial do Exército chileno Armando Fernández Larios, encarregado da logística. Os dois foram amparados pelo programa de proteção a testemunhas dos EUA por terem colaborado com a Justiça. / EFE

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