CIA teria avaliado matar militantes da Al-Qaeda em 2001

A Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla inglês) lançou uma iniciativa, em 2001, com o objetivo de levar adiante uma autorização presidencial para capturar ou matar integrantes da Al-Qaeda, segundo ex-funcionários. A medida teria sido barrada pelo diretor da agência, Leon Panetta. A natureza específica dos esforços altamente secretos da agência não ficou clara e a CIA não fez comentários sobre o assunto.

AE-AP, Agencia Estado

13 de julho de 2009 | 16h58

De acordo com funcionários e ex-funcionários do governo, a agência teria investido recursos no planejamento e possivelmente em algumas ações de treinamento. A iniciativa não havia sido completamente implementada quando foi barrada por Panetta, segundo as fontes. Em 2001, a CIA também examinou a questão dos assassinatos de líderes da Al-Qaeda, segundo três ex-agentes de inteligência. Aparentemente, essas discussões perderam a força no decorrer de seis meses. Não se sabe se elas eram uma primeira etapa da iniciativa da CIA que foi paralisada por Panetta.

As revelações sobre a CIA e suas atividades pós 11 de Setembro surgiram em meio a novas lutas entre a agência e democratas no Congresso. Na semana passada, sete legisladores democratas do Comitê de Inteligência divulgaram uma carta na qual falavam sobre os esforços da CIA, que, segundo eles, Panetta reconheceu não ter discutido de forma apropriada com o Congresso. Funcionários da CIA haviam levado o assunto a Panetta e recomendado a ele que informasse o Congresso. Nem Panetta nem os legisladores forneceram detalhes. Panetta cancelou o esforço da CIA depois de ficar sabendo do assunto em 23 de junho.

A batalha é parte de um extenso cabo-de-guerra entre o Executivo e o Legislativo sobre como inspecionar as atividades dos serviços de inteligência e com que intensidade a CIA deve informar o Congresso sobre suas ações. Nos últimos anos, após as revelações sobre as prisões secretas da CIA e as duras técnicas de interrogatório usadas pela agência, o Congresso tem feito pressão para uma fiscalização maior. A administração Obama, assim como sua predecessora, tem resistido a medidas nessa direção.

Numa discussão recente sobre o que sabia sobre o uso da simulação de afogamento no interrogatório de suspeitos de terrorismo, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, acusou a agência de mentir para os legisladores sobre suas operações. Um funcionário lembrou que o Congresso era informado sobre as ações e os esforços da CIA não consistiam um programa, "já que muitas ideias surgiram durante os anos".

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