CIA tratou ataque na Líbia como ato de terror, diz Petraeus

Ex-chefe da agência evita falar sobre caso extraconjugal que o derrubou e contradiz versão de embaixadora

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h06

Em depoimento a portas fechadas para as comissões de inteligência da Câmara dos Deputados e do Senado, o ex-diretor da CIA (agência de inteligência dos EUA) David Petraeus afirmou ontem que, desde o início, a organização classificou a ação contra o Consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, como um ataque terrorista e não uma consequência de manifestações contra um vídeo islamofóbico.

Os deputados e senadores não questionaram Petraeus sobre o escândalo envolvendo o seu romance com Paula Broadwell, uma ex-militar que escreveu sua biografia. O episódio levou à renúncia do então diretor da CIA, na semana passada, e levantou suspeitas de que a ex-amante possa ter obtido acesso a informações sigilosas.

A sessão de Petraeus foi fechada ao público e ele evitou a imprensa ao entrar e sair do Congresso, em Washington. O teor do seu depoimento foi repassado por deputados e senadores dos partidos Republicano e Democrata que estiveram presentes.

Segundo os congressistas, Petraeus afirmou que o relatório da CIA, depois do ataque contra o consulado, classificava o episódio como "terrorista". Em nenhum momento, segundo o ex-diretor da agência de inteligência, a CIA informou que havia sido resultado de manifestações pacíficas.

No atentado contra o consulado em Benghazi, em 11 de setembro, morreram quatro americanos, entre eles o embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens. As outras três vítimas trabalhavam para a CIA.

O governo do presidente Barack Obama foi alvo de críticas da oposição republicana por sua reação ao caso. O presidente, ainda que não de forma incisiva, qualificou o ataque como "terrorismo" em dois discursos nos dias que se seguiram à ação. A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, em programas de TV, cinco dias depois, atribuiu o ataque a um vídeo islamofóbico. O porta-voz da Casa Branca seguiu a mesma linha.

Semanas mais tarde, o governo Obama mudou a versão, admitindo ter ocorrido um atentado terrorista. Segundo a Casa Branca, Rice usou as informações oferecidas pelos serviços de inteligência na época. A declaração de Petraeus, porém, muda essa versão ao dizer que, desde o início, a CIA acreditava ter sido um atentado. O ex-diretor não sabe quem no governo americano teria omitido a menção ao terrorismo até que as informações chegassem a Rice.

"Estamos tendo mais informações, mas, na minha opinião, não chegamos ao ponto em que podemos ter uma conclusão firme sobre o que ocorreu", disse a presidente da Comissão de Inteligência do Senado, Dianne Feinstein, do Partido Democrata. O senador republicano John McCain classificou como "importante" o depoimento de Petraeus.

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