CIA treinou paquistaneses para capturar Bin Laden

A Agência Central de Inteligência dos EUA treinou e equipou cerca de 60 comandos do órgão de espionagem paquistanês em 1999 para entrar no Afeganistão e capturar ou matar Osama bin Laden, segundo a edição de hoje do jornal The Washington Post.Segundo fontes familiarizadas com a operação e citadas pelo diário, o plano foi montado pelo então primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, por seu chefe de inteligência e pelo governo Bill Clinton, que em troca prometia revogar sanções contra o país e fornecer um pacote de ajuda econômica. A operação não teve sucesso no final daquele ano, quando Sharif foi derrubado por um golpe militar.Operação clandestinaDe acordo com o Post, o plano foi posto em andamento menos de um ano depois de disparos de mísseis de cruzeiro americanos contra campos de treinamento de Bin Laden no Afeganistão, que funcionários do governo Clinton acreditam quase ter acertado o militante saudita no exílio. A operação clandestina fazia parte de um esforço americano cuja envergadura foi superior à anunciada na época e incluía o estudo de uma operação militar mais ampla, como o emprego de bombardeios e ataques a cargo das Forças Especiais.O The Washington Post revela ainda que foram oportunidades perdidas que proporcionam ao presidente George W. Bush e a seu governo algumas lições valiosas, bem como um arcabouço para a ação, enquanto elaboram planos para sua guerra a Bin Laden e sua organização, Al-Qaeda, depois dos atentados de 11 de setembro em Nova York e Washington.Tentativa frustradaAinda segundo o Post, a equipe de comandos paquistaneses estava pronta para atacar em outubro de 1999, informou um ex-funcionário do governo americano. "Era uma empreitada. Estava avançando", comentou. Inconformados com o fracasso de sua tentativa de apanhar Bin Laden no ano anterior, funcionários do governo Clinton estavam encantados com a operação, que no seu entender daria a chance concreta de eliminar o exilado saudita.O The Washington Post informa que a operação deu em nada, porque em 12 de outubro de 1999 Sharif foi deposto por um golpe militar chefiado pelo general Pervez Musharraf, que não quis dar andamento à operação, apesar dos grandes esforços feitos pelo governo Clinton para reativá-la.Novo aliadoMusharraf, atual presidente do Paquistão, acaba de surgir como aliado-chave da iniciativa do governo Bush para ir no encalço de Bin Laden e destruir sua rede terrorista. Os registros da CIA sobre o fracassado relacionamento com o Paquistão dois anos atrás mostram a importância - e as ciladas - de uma aliança do gênero que têm Bin Laden como alvo.Segundo o jornal, o Paquistão e seu serviço de inteligência têm informações valiosas sobre o que está ocorrendo no Afeganistão, país que continua fechado para a maior parte do mundo. Mas o ex-funcionário do governo americano disse que operações conjuntas com o serviço paquistanês são sempre arriscadas, pois a milícia Taleban, que governa a quase totalidade do Afeganistão, infiltrou-se na espionagem paquistanesa. "Você nunca sabe com quem está lidando", disse o ex-funcionário. "Está sempre lidando com sombras."

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