CIA usou técnica de tortura 266 vezes

Simulação de afogamento foi utilizada contra 2 suspeitos presos

AP E NYT, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 00h00

Funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA) utilizaram em interrogatórios a técnica de simulação de afogamento 266 vezes contra 2 membros da rede Al-Qaeda - um número muito superior ao que havia sido divulgado anteriormente.De acordo com um relatório de 2005 feito pelo Departamento de Justiça, agentes utilizaram a técnica - considerada como "tortura ilegal" pelo governo do presidente Barack Obama - pelo menos 83 vezes em agosto de 2002 contra Abu Zubeida, membro da Al-Qaeda. Segundo a versão antiga da CIA, o prisioneiro tinha sido submetido à técnica por apenas 35 segundos antes de confessar. O mesmo documento afirma que a simulação de afogamento foi usada 183 vezes em março de 2003 durante os interrogatórios de Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos atentados do 11 de Setembro nos EUA.Na semana passada, Washington também divulgou relatórios que detalhavam as táticas de interrogatório, sancionadas pelo governo do ex-presidente George W. Bush. Os documentos autorizavam que os presos fossem mantidos nus, em más condições e em celas frias por longos períodos de tempo.Na ocasião, Obama disse que os agentes que utilizaram as polêmicas técnicas com a aprovação do Departamento de Justiça não seriam julgados: "Aqueles que cumpriram com suas obrigações fiando-se da boa-fé da assessoria legal do Departamento de Justiça não serão processados." O anúncio desapontou os grupos de direitos humanos e ex-prisioneiros. A decisão também foi criticada pela União Americana das Liberdades Civis e classificada como ilegal pelo principal investigador de tortura da ONU.MISSÃO TRANQUILIZADORAOntem, Obama fez sua primeira visita à sede da CIA, procurando tranquilizar os agentes sobre a divulgação dos documentos sobre tortura. "Vamos proteger suas identidades e garantir sua segurança", disse o presidente. "Eu serei tão eficaz na proteção de vocês como vocês são eficazes na proteção do povo americano", acrescentou.

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