Ciberataques por encomenda a US$ 2

Em 2012, 550 milhões de pessoas foram afetadas

O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h04

Ataquescibernéticos registraram um salto de 30% em 2012, em comparação a 2011, e já causam anualmente perdas de US$ 110 bilhões. Os dados foram anunciados ontem pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), que estima que 550 milhões de pessoas foram afetadas no ano passado.

Mas o que mais preocupa a organização é que encomendar um ciberataque está cada vez mais barato e os serviços disponíveis pelo mundo por "profissionais" são cada vez mais numerosos. "Descobrimos serviços que vendem um ataque simples por US$2", declarou o secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações, Hamadoun Touré. "Isso é o mais assustador."

Ironicamente, sua própria entidade, que serve de referência para segurança da telecomunicação no mundo, foi alvo de um mega-ataque em dezembro de 2012. "O site caiu por uns 40 minutos e foi durante a noite. Mas teria sido muito embaraçoso para mim que a UIT tivesse sido afetada de forma mais grave por esses ataques", afirmou.

Touré também reconhece os limites de seu poder. "Eu fui atacado abertamente e não tenho como levar esses criminosos à Justiça."

"Hoje, sabemos que ninguém está imune aos ataques cibernéticos. É uma realidade e que precisamos enfrentar. O problema é que ataques afetam a navegação, transporte, saúde, infraestrutura e demonstra que a internet é hoje o recurso mais importante do mundo."

Na opinião de Touré, o mundo vive "uma guerra cibernética" e a prática de espionagem na rede é algo generalizado entre governos, não se restringe apenas aos EUA. Para o secretário-geral da UIT, a única solução neste momento é a começar a negociar um "armistício", na forma de um acordo que possa começar a colocar limites nas ações de cada país na web. / JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE EM GENEBRA

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