Ciclone devastador mata mais de 350 em Mianmar

Rangum, a ex-capital, teve casas destruídas e postes e árvores arrancados

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

05 de maio de 2008 | 00h00

Mais de 350 pessoas morreram em Mianmar (ex-Birmânia) por causa de um devastador ciclone que passou no sábado por Rangum, a principal cidade do país e ex-capital, e o delta do Rio Irrawaddy, onde destruiu duas localidades, informaram ontem as autoridades e a mídia estatal.O número de mortos deve aumentar à medida que as autoridades consigam entrar em contato com as ilhas e os povoados remotos que foram afetados pelo ciclone Nagris, de categoria 3 e com ventos de até 190 km/h. As autoridades mobilizaram o Exército nas zonas atingidas para ajudar os desabrigados e avaliar os danos.Dissidentes e diplomatas manifestaram ontem o temor de que os generais de linha dura que governam Mianmar não peçam ajuda internacional para lidar com a situação no país, um dos mais pobres da Ásia. "A comunidade internacional está disposta a fornecer ajuda humanitária. Houve uma enorme destruição, mas cabe ao governo permitir a entrada da assistência", disse um diplomata ocidental que não quis ter sua identidade revelada.O ciclone ocorreu em um momento delicado para a junta militar, que realizará um referendo sobre a nova Constituição no dia 10. Se for sentido que a junta militar não está atendendo as vítimas devidamente, os eleitores, que já culpam o governo pelo péssimo estado da economia e por impedir os avanços democráticos no país, podem votar contra o projeto da nova Carta.O ciclone Nagris, que foi adquirindo força no Golfo de Bengala, devastou a antiga capital birmanesa, deixando as ruas cheias de veículos capotados, árvores caídas e escombros dos prédios afetados. Testemunhas disseram que o ciclone de sábado arrancou telhados de milhares de casas e deixou Rangum - onde vivem cerca de 5 milhões de pessoas - totalmente sem eletricidade. Um funcionário do departamento de eletricidade disse que era impossível prever quando será restabelecido o fornecimento de energia.Segundo a TV estatal - que 36 horas após a passagem do ciclone ainda não estava sendo transmitida em Rangum - mais de 20 mil casas foram destruídas na Ilha de Haingyi, no Mar de Andaman. A TV controlada pelo Exército disse que cinco regiões do país foram declaradas zonas de desastre."Nunca vi nada assim", disse um funcionário aposentado à agência Reuters. "Me lembrei de quando o furacão Katrina atingiu os EUA", acrescentou."É uma zona de guerra total", disse um diplomata ocidental em Rangum em um email enviado à Reuters. "Há árvores e postes elétricos caídos em todas as ruas, hospitais devastados e falta de água potável", acrescentou. Especialistas em desastres da ONU disseram que pode levar dias antes que se saiba a extensão dos danos causados no país, governado desde 1962 por um regime militar.MAREMOTOPelo menos 9 pessoas morreram e 14 ficaram feridas ontem após serem atingidas por um maremoto na costa oeste da Coréia do Sul. Segundo a Guarda Costeira, pescadores e banhistas estavam na praia da cidade de Boryeong, 190 quilômetros sudoeste de Seul, quando a onda de mais de 5 metros atingiu o local.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.