Ciclone mata 38 pessoas e prejuízos devem chegar a US$ 20 bilhões nos EUA

O dia seguinte. Passagem do Sandy deixa cerca de 8 milhões de americanos sem energia elétrica e causa o cancelamento de mais de 16 mil voos; a uma semana da eleição, Obama e Romney diminuem ritmo da campanha presidencial em razão da tormenta

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h09

O furacão Sandy, que se transformou em tempestade extratropical após atingir o continente, matou 38 pessoas e causou muita destruição na Costa Leste dos EUA a uma semana das eleições presidenciais. Cerca de 8 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica e centenas de milhares precisaram deixar suas casas.

Ao todo, os custos da destruição podem chegar a US$ 20 bilhões - pelo menos US$ 10 bilhões seriam danos aos negócios provocados pela paralisação da economia em uma região que vai dos Estados da Carolina do Norte ao Maine, onde se localizam algumas das maiores cidades americanas, de acordo com estimativa da consultoria IHS Global Insight. O ciclone provocou o fechamento, por dois dias, da Bolsa de Nova York, que deve reabrir hoje.

Cerca de 16 mil voos foram cancelados e alguns aeroportos, como o JFK, de Nova York, voltariam a operar normalmente hoje. O La Guardia, também em Nova York, não tem data para reabrir. Os trens também estão parados. O metrô nova-iorquino, em razão do alagamento em dezenas de estações, deve voltar a funcionar apenas em quatro dias.

"Em 118 anos de funcionamento do metrô, nunca tivemos tantos danos", disse o presidente da Autoridade de Transportes Metropolitanos. Várias áreas próximas ao distrito financeiro, como o sofisticado bairro de Battery Park, onde se localiza a sede do banco Goldman Sachs, sofreram com inundações de até 4 metros. O memorial do 11 de Setembro também sofreu com as enchentes durante a noite, embora a situação tenha melhorado ao longo do dia.

Na noite de ontem, alguns ônibus voltaram a circular, mas o transporte entre diferentes partes de Nova York ainda era precário. Muitos não sabiam quando retornariam ao trabalho ou mesmo para suas casas.

Um dos maiores dramas na maior cidade do país ainda era a grua pendurada no topo do Edifício One57, ainda em construção, que será o mais caro de Nova York. Todos os quarteirões ao redor, em uma das principais regiões de Manhattan, foram isolados e autoridades locais estudavam uma forma de evitar a queda que poderia atingir o Carnegie Hall. No Queens, cerca de 80 casas foram destruídas por incêndios.

Segundo a companhia de eletricidade ConEd, cerca de 684 mil usuários ficaram sem energia. A região mais atingida foi a parte sul de Manhattan. Em alguns casos, a queda de luz foi provocada pela explosão de uma subestação. Em outros, como medida preventiva. Em New Jersey, 2,5 milhões ficaram no escuro.

Atlantic City, localizada no Estado de New Jersey, a cerca de 100 quilômetros de Nova York, foi o local onde os estragos foram maiores. As ruas da cidade, conhecida por seus cassinos, ficaram completamente alagadas e a orla foi destruída.

"Estamos no meio das buscas e da procura por pessoas desaparecidas. Nossas equipes estão se movimentando o mais rapidamente possível. No entanto, os estragos no litoral de New Jersey são os maiores que eu já vi. Os prejuízos são incalculáveis", afirmou o governador do Estado, o republicano Chris Christie.

O presidente Barack Obama, que deixou de lado a campanha eleitoral e deve visitar New Jersey hoje (mais informações na página A15). Segundo ele, "a tempestade ainda não acabou". O presidente pediu mais coordenação com os governadores. "Eles podem me ligar diretamente na Casa Branca. Não há desculpa para a falta de ação", afirmou Obama.

Os ventos, com cerca de 100 km/h, continuavam se movimentando ontem na direção do oeste dos EUA, atingindo a região dos Grandes Lagos, onde estão outros grandes centros urbanos, como Detroit e Chicago, segundo o Centro Nacional de Furacões, da Flórida (NHC, na sigla em inglês).

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