REUTERS/Rupak De Chowdhuri
REUTERS/Rupak De Chowdhuri

Ciclone mata ao menos 82 e obriga três milhões a deixarem região

Equipes de resgate buscam sobreviventes em vilarejos devastados pelo ciclone que teve ventos de até 185 quilômetros

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2020 | 12h13

CALCUTÁ/DACA - O ciclone mais forte a atingir o leste da Índia e Bangladesh em mais de uma década matou ao menos 82 pessoas, disseram autoridades, enquanto equipes de resgate buscam sobreviventes em vilarejos litorâneos devastados, afetados também pela queda de linhas de energia e com grandes extensões de terra debaixo de água. A estimativa é de que três milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar suas casas em meio à pandemia do novo coronavírus. 

Retiradas em massa organizadas pelas autoridades antes da chegada do ciclone Amphan salvaram vidas, mas a extensão total das baixas e dos danos infligidos pelo ciclone a propriedades só será conhecida quando as comunicações forem restabelecidas. 

No Estado indiano de Bengala Ocidental, ao menos 72 pessoas morreram, afirmou nesta quinta-feira a ministra-chefe, Mamata Banerjee. No vizinho Bangladesh, os primeiros registros indicavam pelo menos 10 mortes. Abrigos adicionais estão sendo preparados em mercados e edifícios públicos levando em conta o distanciamento social na medida possível, e máscaras estão sendo distribuídas a moradores de vilarejos. 

A maioria das mortes foi causada por árvores derrubadas por ventos que chegaram a 185 quilômetros por hora e por uma maré de cerca de cinco metros que inundou áreas costeiras quando o ciclone passou diante do Golfo de Bengala na quarta-feira.

“Nunca vi um ciclone assim na minha vida. Parecia o fim do mundo. Tudo que eu podia fazer era rezar... Alá todo-poderoso nos salvou”, disse Azgar Ali, morador de 49 anos do distrito de Satkhira, no litoral de Bangladesh, à Reuters.

Designado como um super ciclone, o Amphan enfraqueceu desde que chegou ao continente. Seguindo terra adentro através de Bangladesh, ele foi rebaixado pelo escritório climático da Índia para uma tempestade ciclônica nesta quinta-feira, e se prevê que continue perdendo força. 

Mohammad Asaduzzaman, policial de Satkhira, descreveu a destruição que o Amphan deixou em seu rastro. “A devastação é enorme. Muitos vilarejos estão inundados. Ele arrancou telhados de estanho, rompeu linhas de energia e arrancou árvores”.

É cada vez maior o receio de inundação em Sundarbans, uma região ecologicamente frágil que se estende pela fronteira entre Índia e Bangladesh e é conhecida pelas florestas de mangues espessas e suas reservas de tigres.

“A maré de tempestade submergiu certa parte da floresta”, disse Belayet Hossain, autoridade florestal do lado bengalês da floresta. “Vimos árvores arrancadas, os telhados de estanho das torres de guarda voando longe”, disse.

Do lado indiano de Sundarbans, a autoridade de um vilarejo disse que as margens que cercam uma ilha baixa onde cerca de 5 mil pessoas moram foram inundadas e que não conseguiu contatar as autoridade para pedir ajuda. “Não conseguimos informá-las sobre nada desde a noite passada”, disse Sanjib Sagar. / Reuters e AFP 

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