Ciclone mata mais de 300 e causa destruição em Mianmar

Com rajadas de vento de 190 km/h, o ciclone destruiu vilas inteiras, segundo fontes oficiais

Agências internacionais

04 de maio de 2008 | 11h08

Mais de 350 pessoas morreram em Mianmar na passagem de um ciclone de categoria 3 que assolou Yangun e o delta do rio Irrawaddy, onde arrasou duas cidades, informaram neste domingo, 4, autoridades e a mídia estatal. "Acreditamos que centenas de pessoas morreram", disse Khin Maung Win, o porta-voz da Birmânia." Em algumas áreas, vilas inteiras desapareceram". Com rajadas de vento de 190 km/h quando atingiu o país governado por militares na manhã de sábado, o ciclone Nargis arrasou Yangun, ex-principal cidade da antiga Birmânia, deixando as ruas tomadas por carros virados, árvores caídas e destroços de edifícios danificados. "Total zona de guerra", disse um diplomata baseado em Yangun em um e-mail enviado à Reuters em Bangcoc. "Árvores pelas ruas, postes de eletricidade tombados, hospitais destruídos, água potável escassa", afirmou. Um funcionário do governo em Naypyidaw -- a nova capital dos militares -- situada 390 quilômetros ao norte, disse que a última cifra de mortos era de mais de 200. A emissora britânica BBC, citando uma notícia da televisão estatal do país, informou que 243 pessoas morreram e mais de 20 mil casas foram destruídas. A estatal MRTV afirmou mais tarde que a cifra era de 241 mortos, incluindo 19 em Yangun e 222 na parte mais atingida no delta do Irrawaddy, a sudoeste da antiga capital. Jornais oficiais em Yangun disseram que somente uma em quatro edificações estavam de pé em Laputta e Kyaik Lat, duas cidades distantes no delta produtor de arroz e acessíveis somente por barco. Não há detalhes sobre vítimas. Em Yangun, cidade de 5 milhões de habitantes, muitos telhados de edificações mais sólidas foram arrancados, numa indicação de que os danos devem ser graves nas favelas da periferia. Funcionários de entidades assistenciais estrangeiras, cujos movimentos são controlados pela junta militar no governo, não conseguiram chegar às áreas mais pobres para avaliar o impacto. "Nunca vi nada como isto", disse um funcionário público aposentado à Reuters. "Lembrou-me do furacão Katrina que atingiu os Estados Unidos." Embora o domingo de manhã estivesse ensolarado, a antiga capital estava sem luz e água e os preços dos alimentos dobraram. Peritos da ONU em desastres disseram que levará dias para ter uma idéia da extensão dos danos num país governado desde 1962 por regimes militares rígidos. O número de mortos pode subir bastante, já que as autoridades ainda estão contatando cidades distantes e vilarejos costeiros.  Texto atualizado às 15h10

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