Reprodução/Twitter
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Cidadã brasileira está entre vítimas de atentado na Tunísia

Maria da Glória Moreira, que nasceu em Portugal e tinha pai brasileiro, passava férias em praia que foi alvo de atentado

Viviane Vaz, ESPECIAL PARA O ESTADO

29 de junho de 2015 | 19h29

 

BRUXELAS - A professora de piano Maria da Glória Moreira, de 76 anos, portuguesa com cidadania brasileira, está entre as 38 vítimas do atentado cometido por um militante do Estado Islâmico na sexta-feira em um resort em Sousse, na Tunísia. A tragédia evitou que ela se reunisse ontem com a família na cidade do Porto, em Portugal, onde comemoraria o aniversário de 10 anos do neto Miguel. 

“Essa é uma situação que nos pegou de surpresa e que nos magoou bastante, pela violência e pela circunstância de vida da minha sogra. Ela voltava a se revitalizar depois do luto pela perda do meu sogro”, disse Luís Beires Fernandes, de 38 anos, diretor de uma empresa de iluminação em São Paulo ao Estado. 

Ele e a mulher, Mariana Moreira, uma tradutora de 47 anos, estavam passando as férias no Porto, enquanto aguardavam o retorno de Maria da Glória. “Agora estamos a caminho da Tunísia, para prestar as provas de DNA e depois retomaremos a Portugal para as cerimônias fúnebres”, contou Luís. “Em seguida voltamos ao Brasil, para continuar a vida de outro jeito.”

O pai de Maria da Glória era brasileiro de origem portuguesa, nascido em São Paulo, na Mooca, e decidiu fazer a vida em Portugal. “A minha sogra e minha mulher têm dupla nacionalidade em razão dessa relação com o Brasil”, disse Luís. 

Maria da Glória cresceu em Vila Real, em Portugal, estudou num colégio de freiras e seguiu depois sozinha para o Porto, onde estudou e lecionou no Conservatório de Música da cidade.

A pianista aposentada estava viúva havia dois anos e essa era a primeira viagem que fazia sozinha, ainda se recuperando do luto. 

A escolha da Tunísia se deveu a um motivo especial: Maria da Glória costumava ir àquela região do Mediterrâneo com o marido Cristiano Moreira. 

“Ela tinha ido de férias quase todos os anos com o meu sogro para a Tunísia”, afirma Luís. “Era um lugar onde se sentia bem, se sentia confortável, onde sabia que ia ser bem tratada pelos hotéis, e portanto, estava muito entusiasmada”, explicou o genro.

Na segunda-feira, Maria da Glória tinha telefonado para a família para avisar que tudo ia bem. Na quarta-feira, a aposentada estava feliz porque tinha feito amigos no hotel em Sousse. “A família estava toda muito contente, porque era um sinal de que ela estava reagindo, revivendo”, disse Luís.

A pianista também costumava viajar para o Brasil. Luís destaca que ele e Mariana, sempre que podiam, visitavam Maria da Glória em Portugal, ou ela vinha visitá-los e ficava por longas temporadas. 

“A minha sogra era uma pessoa livre, muito decidida. Mas ao mesmo tempo era tolerante, e a escolha de um país árabe para as férias tinha a ver com isso; ela não tinha desconforto, pelo contrario: ela sentia que ali estava segura”, definiu Luís.

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