Cidadãos árabes exigem mais direitos em Israel

Cidadãos árabes de Israel exigem uma autorização para retornar às aldeias que abandonaram ou foram expulsos durante a guerra de 1948/49, além de tentar negociar um "compromisso histórico com a comunidade judaica em Israel".Essa posição, e outras exigências, como a que se leve em conta os direitos dessa minoria no momento de redigir uma constituição para o Estado judeu, e que se mudem seus símbolos, consta em um documento do Centro Mosaua, que defende os cidadãos árabes, segundo a edição deste domingo do jornal "Ha´aretz".Os "árabes de Israel", que ficaram neste país após a primeira guerra árabe-israelense de 1948, que explodiu horas depois da proclamação do Estado judeu, são atualmente cerca de 20% da população total do país, reunindo 1,1 milhão de habitantes.Além disso, 25% desses cidadãos são parte dos refugiados palestinos que perderam seus lares e suas terras nas aldeias onde residiam, mas que não deixaram o Estado judeu, se mudando para outras regiões ou localidades do país.Ao fim dessa guerra, seu número era calculado em menos de 200 mil. Segundo a ONU, o número de refugiados e seus descendentes, se contarem os que residem no Líbano, Jordânia e Síria, entre outros países árabes, se eleva hoje a mais de quatro milhões.Estes são os refugiados cujo "retorno à Palestina" é reivindicado há décadas pela Organização para Libertação da Palestina (OLP) e outros organismos nacionais. O diretor do Mosaua, Jafar Farah, que apresentou o documento em Nazaré, defendeu o retorno dos deslocados de 1948 a suas antigas aldeias, porque "isso não modificará o equilíbrio demográfico do país".Da leitura do documento do Centro árabe se conclui que essa comunidade, formada em sua maioria por muçulmanos, exige autonomia educacional e que o Governo central mude a bandeira do Estado, que tem a estrela de David, e o tradicional hino judeu, o "Hatikva"."Nos encontramos em uma situação absurda, pois os cidadãos judeus decidem o que é bom para os árabes, já que a elite árabe não participa dos debates", disse Farah. "Agora terão que nos levar em conta na hora de decidir", acrescentou.Entre os juristas que participaram da reunião convocada por essa entidade estava o juiz árabe Salim Jubran, da Suprema Corte de Justiça de Israel, que afirmou que a atual Lei Básica sobre Cidadania deve ser emendada para completar a proteção constitucional de grupos minoritários.Além disso, manifestou sua oposição à restrição do direito dos árabes de casar-se com palestinos da Cisjordânia ocupada, ou da Faixa de Gaza, além da proibição que tende a impedir mudanças demográficas em relação à maioria judaica de Israel.

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