AFP PHOTO / JUSTIN TALLIS
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Europeus manifestam apoio a imigrantes

Em todo o continente surgiram atos para dizer aos políticos que seus cidadãos dão as boas vindas aos milhares de imigrantes que fogem da vioilência em seus países

O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2015 | 15h40

No fim de uma semana marcada por debates políticos sobre a crise migratória na Europa, neste sábado, 12, milhares de cidadãos foram às ruas de cidades europeias para manifestar apoio aos imigrantes e pressionarem seus governos a receberem mais refugiados. 

Em Copenhangue, cerca de 30 mil pessoas se concentraram em frente ao Parlamento dinamarquês gritando, em inglês, frases como "Diga algo e diga claro: refugiados são bem-vindos aqui".  O ato na Dinamarca faz parte de um movimento por todo o continente para dizer aos políticos que seus cidadãos dão as boas-vindas aos milhares de imigrantes que fogem da violência em seus países. 

Na Alemanha, os 75 mil torcedores que acompanhavam um jogo do Bayern de Munique aplaudiram crianças imigrantes que estavam de mãos dadas com os jogadores no campo, antes de uma partida com o Augsburg. A iniciativa, segundo os clubes, foi uma maneira de simbolizar a "integração de refugiados".

Na Hungria, manifestantes e até músicos se reuniram na estação de trem Keleti, em Budapeste, onde muitos imigrantes ficaram retidos na tentativa de embarcar para outros países europeus. Os participantes do ato deste sábado queriam demonstrar solidariedade com os imigrantes e seu descontentamento com o duro tratamento que o primeiro-ministro Viktor Orban tem dado àqueles que buscam por refugio. 

Ativistas reuniram assinaturas para a criação de um referendo para repelir as políticas do governo para o tema, enquanto outros seguravam cartazes com frases como "A vida dos refugidados é uma questão de solidariedade, não uma campanha política". Músicos fizeram apresentações que iam do jazz à cultura Csango, de uma minoria húngara que vive na Romênia. 

O comportamento do governo húngaro despertou críticas também da Áustria. Neste sábado, em uma entrevista publicada pela revista alemã Der Spiegel, o chanceler (chefe de governo) austríaco, Werner Faymann, afirmou que a política de Orbán no tema dos refugiados lhe lembra a "época mais escura da história europeia". A Hungria respondeu dizendo que as declarações eram "calúnias incoscientes". 

Gritando frases como "abram as fronteiras" e "a vida dos refugiados conta", dezenas de milhares pediram, em Londres, ao governo de David Cameron uma política de acolhida mais generosa para os refugiados que tentam escapar dos conflitos na Síria, Iraque ou Afeganistão. O dirigente conservador anunciou que o país acolherá a 20 mil refugiados sírios nos próximos cinco anos. Ao mesmo tempo, o primeiro gesto do novo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, eleito hoje de manhã, foi unir-se à manifestação, depois de chamar o governo a fazer mais pelos imigrantes. 

Na França, o presidente François Hollande fez uma visita surpresa ao centro de acolhida de refugiados sírios perto de Paris. Seu governo se comprometeu a receber cerca de 24 mil imigrantes e o Ministério do Interior afirma que cerca de 700 prefeituras estão dispostas a acolhê-los. 

Na sexta-feira, na Itália, milhares de pessoas de 60 cidades italianas ficaram descalças para pedir mais solidariedade em relação aos refugiados e imigrantes que fogem diariamente de seus países de origem em busca de um futuro melhor na Europa. A iniciativa chamada "Marcha das mulheres e homens descalços" surgiu graças a um grupo de escritores, atores, e personalidades da cultura e da política, para pedir mais proximidade e solidariedade com estas pessoas.

Mas também houve registro de atos contrários à acolhida dos imigrantes, demonstrando uma divisão persistente na Europa diante da crise migratória. Em Varsóvia, manifestantes contrários aos imigrantes foram para as ruas, assim como os favoráveis. Eles são contrários à entrada de "muçulmanos" na Europa. 

Outras manifestações do mesmo tipo, com algumas centenas de participantes, ocorreram em Bratislava e em Praga, onde foram feitos chamados para que seus governos - Eslováquia e República Checa, respectivamente - saiam da União Europeia. 

 

Em Portugal, houve tensão quando manifestantes em Lisboa favoráveis aos imigrantes se encontraram com os contrários à acolhida, na maioria, membros do Partido Nacional Renovador (PNR). A polícia foi obrigada a intervir e os agentes formaram um cordão entre os dois grupos. / AP e EFE


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