Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

Cidadãos organizam rede de auxílio

Na contramão do caos político entre os governos europeus diante do fluxo de refugiados, centenas de estudantes, associações de bairro, médicos e igrejas se uniram para socorrer os sírios que desembarcam em massa

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / PASSAU, ALEMANHA, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 07h00

Na contramão do caos político entre os governos europeus diante do fluxo de refugiados, centenas de estudantes, associações de bairro, médicos e igrejas se uniram para socorrer os sírios que desembarcam em massa. Se as autoridades têm patinado na resposta à crise, os serviços oferecidos pelos voluntários incluem desde acomodação até conexão de internet para que refugiados possam avisar seus parentes onde estão.

Na cidade alemã de Passau, porta de entrada para uma espécie de “terra prometida” para os refugiados, quem tomou a iniciativa de ajudar foram os estudantes da universidade local. Com 20 anos, Lotta Storm conta que seu trabalho tem sido o de buscar locais para acolher essas pessoas e garantir que seus direitos sejam respeitados. “Todos temos de agir”, disse.

Também na Alemanha, dois estudantes iniciaram um projeto que acabou ganhando o país. O objetivo era encontrar pessoas que estivessem dispostas a oferecer suas casas aos refugiados. Em um mês, mil casas pela Alemanha foram colocadas à disposição.

Um site ainda foi criado permitindo que as pessoas possam se inscrever em todas as atividades úteis: aulas de alemão, doações de bicicletas e brinquedos e roupa para o inverno, que chegará em três meses. 

Segundo a ONU e ONGs, a difusão da foto do garoto sírio de 3 anos morto em uma praia da Turquia causou uma onda de doações pelo continente. Mas as ações dos cidadãos já existiam. O capitão da seleção alemã, Bastian Schweinsteiger, gravou um vídeo espontâneo pedindo que o país “ajudasse e respeitasse” os refugiados.

Na Hungria, enquanto as autoridades querem impedir que o território seja usado pelos refugiados, grupos de voluntários passaram horas nos últimos dois dias na estação de Budapeste oferecendo assistência aos estrangeiros. Na avaliação da ONU, o maior impacto da mobilização popular tem sido o de forçar os governos a repensar suas políticas e também agir para acolher os que fogem da guerra civil síria.

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