Cidade americana de Minneapolis indenizará família de George Floyd em US$ 27 milhões 

Cidade americana de Minneapolis indenizará família de George Floyd em US$ 27 milhões 

Negociação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal de Minneapolis e é o maior acordo pré-julgamento em um caso de morte por negligência em direitos civis na história americana

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 16h39
Atualizado 12 de março de 2021 | 20h17

MINNEAPOLIS - A cidade americana de Minneapolis chegou a um acordo civil com a família de George Floyd - homem negro desarmado morto por um policial branco - pelo valor recorde de US$ 27 milhões (mais de R$ 150 milhões). A negociação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal de Minneapolis nesta sexta-feira, 12, e é o maior acordo pré-julgamento em um caso de morte por negligência em direitos civis na história americana. 

“A morte horrível de George Floyd, testemunhada por milhões de pessoas em todo o mundo, desencadeou um anseio profundo e uma demanda inegável por justiça e mudança”, disse Ben Crump, o advogado dos direitos civis que representa a família Floyd, em um comunicado. "Envia uma mensagem poderosa de que a vida dos negros é importante e a brutalidade policial contra pessoas de cor deve cessar."

A negociação foi alcançada enquanto ainda ocorre a seleção do júri para o julgamento do policial acusado de assassinar Floyd. Ela também prevê o repasse de US$ 500 mil para o bairro onde Floyd foi preso. 

Floyd foi declarado morto em 25 de maio depois que o então policial Derek Chauvin ajoelhou sobre seu pescoço por cerca de nove minutos. Floyd, que dizia não conseguir respirar, morreu asfixiado. A morte de Floyd desencadeou protestos violentos em Minneapolis e outras cidades, levando a uma discussão nacional sobre racismo.

Em julho, a família Floyd processou a cidade e os quatro policiais implicados em sua morte, alegando que os policiais violaram os direitos da vítima e a cidade permitiu que uma cultura de força excessiva, racismo e impunidade florescessem em sua força policial.

O acordo selado nesta sexta-feira supera a indenização que a cidade de Louisville aceitou pagar em 15 de setembro do ano passado pela morte da jovem Breonna Taylor, que foi baleada pela polícia em seu apartamento durante uma operação. A família de Taylor recebeu US$ 12 milhões.

O montante acordado também excede os US$ 20 milhões que Minneapolis pagou à família de Justine Damond, mulher australiana-americana de 40 anos que morreu em 2017 após ter sido baleada por um policial na cidade.

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Na quinta-feira, o juiz Peter Cahill imputou a Chauvin uma nova acusação, de assassinato em terceiro grau, pela morte de Floyd. Cahill, um juiz do distrito de Hennepin, tomou a decisão um dia após a Suprema Corte do Estado de Minnesota ter recusado um recurso da defesa de Chauvin sobre a nova acusação.

Chauvin enfrenta agora acusações de assassinato em segundo e terceiro graus e de homicídio em segundo grau.

Se for condenado por assassinato em segundo grau, o ex-policial pode receber uma pena de 11 a 15 anos de prisão. A acusação de assassinato em terceiro grau pode acarretar 25 anos, e a de homicídio em segundo grau, 10 anos, embora normalmente só sejam cumpridos cinco anos.

O julgamento de Chauvin deverá começar no dia 29 de março, com a abertura dos argumentos orais para defesa e acusação. Juntam-se a Chauvin três outros ex-policiais - Thomas Lane, J. Alexander Kueng e Tou Thao - acusados de cumplicidade em assassinato e homicídio em segundo grau, e cujo julgamento deverá começar no próximo verão. Todos os quatro estão em liberdade sob fiança./AFP, AP e EFE 

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