Scott Olson/Getty Images/AFP
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Cidade americana torna-se a 1ª no país a indenizar negros por discriminação

Evanston, no Estado de Illinois, destinará US$ 10 milhões nos próximos dez anos para financiar o plano

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2021 | 15h00

EVANSTON, EUA - A cidade de Evanston, no estado de Illinois, tornou-se nesta semana a primeira nos Estados Unidos a aprovar um programa de pagamento a seus moradores afro-americanos para compensá-los pela discriminação que historicamente sofreram.

A Câmara Municipal da cidade de 75 mil habitantes destinará US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 56 milhões) nos próximos dez anos para financiar este plano.

Para se qualificar para a primeira parte do programa, que inclui assistência de até US$ 25 mil (aproximadamente R$ 140 mil) em dinheiro ou reforma da casa, os moradores devem provar que viviam ou eram descendentes de algum afro-americano que viveu em Evanston entre 1919 e 1969 e sofreu discriminação devido às políticas habitacionais da cidade.

O programa será sustentado por meio de doações e da receita obtida com o imposto de 3% sobre a venda de maconha para uso recreativo, aprovado recentemente no estado.

"Tínhamos que fazer algo radicalmente diferente para abordar a divisão racial que tínhamos em nossa cidade, que inclui opressão histórica, exclusão e investimento fora da comunidade negra", disse Robin Rue Simmons, vereadora e promotora da iniciativa, em entrevista à emissora CNN.

Além de Evanston, outras cidades americanas estão considerando medidas semelhantes, incluindo Amherst (Massachusetts), Providence (Rhode Island), Iowa City (Iowa) e Asheville (Carolina do Norte).

Embora a demanda por indenizações para a comunidade afro-americana tenha permanecido viva na opinião pública, a onda de protestos após a morte sob custódia policial de várias afro-americanos, como Breonna Taylor e George Floyd, e a ascensão do movimento Black Lives Matter ("Vidas Negras Importam") revitalizou a demanda por legislação sobre o assunto nos Estados Unidos.

Dreissen Heath, uma ativista da justiça racial e integrante da ONG Human Rights Watch nos Estados Unidos, observou que "os governos locais deveriam continuar a examinar seu passado racista e apresentar o impacto que tiveram nas vidas dos negros".

"As soluções locais não são um substituto para as medidas federais, mas um suplemento, dados os danos causados em vários níveis", disse ela em sua conta no Twitter.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, é a favor da criação de uma comissão a este respeito, conforme disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, logo após a posse do mandatário. /EFE

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