Jose Gandolfi/Telam/AFP
Jose Gandolfi/Telam/AFP

Cidade argentina registra quarto dia consecutivo de protestos contra quarentena

Manifestantes em Formosa protestam contra o anúncio do governador de que, nas próximas duas semanas, província passará à fase 1 da quarentena, a de maior restrição a atividades, após a confirmação de 17 novos casos de covid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 17h59

BUENOS AIRES - A Província de Formosa, no norte da Argentina, viveu nesta segunda-feira, 8, o quarto dia consecutivo de protestos pelo retorno à mais difícil fase de isolamento devido à pandemia da covid-19, que começou na última quinta-feira e vai durar, pelo menos, até o próximo dia 18.

Os manifestantes protestam contra o anúncio do governador Gildo Insfrán de que, nas próximas semanas, Formosa passará à fase 1 da quarentena, a de maior restrição a atividades, após a confirmação de 17 novos casos de covid-19 nesta província de quase 500 mil habitates.

Na capital, Formosa, os protestos aumentaram como resultado da repressão policial registrada nos dias anteriores, enquanto os diferentes blocos políticos do país repercutiram o ocorrido e se pronunciaram a favor ou contra as medidas adotadas pelo governo local.

"Formosanos, não deixem de lutar pelos seus direitos. O que vocês estão fazendo é levantar a voz de uma reivindicação que foi silenciada pela tirania durante décadas. Estou com todos vocês! Liberdade agora para Formosa!", publicou em sua conta no Twitter a presidente do partido Proposta Republicana e ex-ministra da Segurança durante o governo de Mauricio Macri, Patricia Bullrich.

A atual ministra da Segurança do país, Sabina Frederic, afirmou ontem que "há uma crueldade com o governo de Insfran que é inadmissível, uma provocação sistemática, o que não significa que não haja desconfortos em alguns setores da sociedade de Formosa".

As medidas de isolamento ditadas pelo governo de Insfran - no poder desde 1995 - entraram em vigor na última quinta-feira e impedem a circulação sem autorização, suspendem o transporte interurbano e decretaram o fechamento de todas as atividades de trabalho, exceto as consideradas essenciais, como saúde e forças de segurança.

Como parte dos protestos, alguns dos manifestantes optaram por manter seus negócios abertos, apesar das restrições. Os manifestantes, muitos deles trabalhadores da economia informal, avançaram aos gritos de "Queremos trabalhar!". 

As críticas também se concentram, como já aconteceu nos últimos meses, nas dificuldades de entrada e saída de pessoas em seu território e na instalação de centros de isolamento que provocaram denúncias de organizações de direitos humanos.

"Quero ver minha família, faz um ano que não vejo meus filhos que estão em Córdoba (centro) e meus netos, já passou um ano desde que minha filha deveria se formar e não pôde pois não tem aulas presenciais", disse um dos manifestantes.  

Fronteiriça com o Paraguai, é uma das províncias que adotaram medidas mais duras para conter a pandemia. No último ano, acumula pouco mais de 1,3 mil casos.

A Argentina supera 1,2 milhão de infectados e 52 mortes por coronavírus, em um país de 44 milhões de habitantes./EFE e AFP

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