Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Cidade brasileira na fronteira com Venezuela reforça vigilância após acusação de Caracas 

Policiais militares e civis estão nas ruas de Pacaraima vistoriando carros e pessoas após autoridades venezuelanas afirmarem que rebeldes que atacaram batalhão teriam montado base na cidade fronteiriça

Cyneida Correia / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 21h01

BOA VISTA - A fiscalização de veículos e de pessoas aumentou nesta segunda-feira, 23, em Pacaraima, município de Roraima que faz fronteira com a Venezuela, após uma unidade militar venezuelana ter sido atacada no domingo

Policiais militares e civis estão nas ruas da cidade vistoriando carros e pessoas após autoridades venezuelanas afirmarem que os rebeldes teriam montado uma base na cidade fronteiriça e estariam tentando passar as armas roubadas durante o ataque para o Brasil. 

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública de Roraima, Olivan Junior, foram solicitados reforços para evitar que os fuzis entrem no Brasil pela cidade. “Tanto o Exército, quanto a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal receberam pelo canal de comunicação de inteligência os relatos e cabe a cada órgão que tem relação com a segurança de fronteira reagir nesse sentido. No nosso lado daqui, estamos tomando as medidas necessárias para que isso não aconteça, mas a gente sabe que a nossa fronteira é aberta. Eles não cruzam só pelo lado oficial, mas por todos os pontos”, finalizou.

Ricardo Delgado, ex-prefeito de Gran Sabana, disse que os oficiais tomaram o comandante do batalhão como refém, roubaram armas e depois fugiram para a fronteira. Os rebeldes teriam roubado fuzis e munições além de pistolas e granadas. Ao longo do caminho, o grupo se deparou com um posto de controle militar onde ocorreu um confronto e teria fugido para as trilhas clandestinas existentes na fronteira tentando entrar no Brasil. 

Delgado explicou que os insurgentes pertencem ao batalhão 513 Mariano Montilla, localizado na cidade de Luepa, a 180 quilômetros de Santa Elena de Uairén, que fica na divisa com a cidade brasileira de Pacaraima. 

O jornalista Román Camacho disse em sua conta no Twitter que os oficiais tomaram o 5102 Esquadrão de Cavalaria Motorizado em Santa Elena de Uiarén, de onde levaram 112 fuzis AK 103 e munição, além de um caminhão. Depois, assaltaram um posto policial em San Francisco de Yuruaní e levaram nove pistolas e cinco fuzis.

Um soldado morreu. O ex-membro da Guarda Nacional Bolivariana Darwin Malaguera Ruiz ficou ferido e acabou sendo preso. Foram recuperados 82 fuzis AK 103, 60 granadas e 6 caixas de munição.

Militares dos dois lados da fronteira em contato

“Houve uma reunião entre a inteligência do Exército Brasileiro em Roraima e os militares do Forte Escamoto onde foi confirmado o levante, porém eles não têm ainda relação do total de armamentos roubados. Sabe-se que há fuzis AK, RPG, Carl Gustav, mas não sabem tudo o que foi levado. Os militares não confirmaram o envolvimento de indígenas Pemón e solicitaram apoio do Exército Brasileiro para patrulhar as áreas da fronteira e recuperar os armamentos”, informou uma fonte do alto escalão da Segurança Pública em Roraima que não quis ser identificada.

A Assessoria de Comunicação do Exército confirmou que a situação está sendo acompanhada na fronteira. No entanto, segundo ela, não havia até o momento nenhuma evidência que corrobore a informação de que os participantes do ataque estiveram em Pacaraima, como afirmou nesta segunda-feira o ministro de Informação da Venezuela, Jorge Rodríguez. O ministro acusou o Brasil de facilitar a entrada dos rebeldes e garantir que eles permanecessem perto da fronteira até o dia do ataque ao quartel.

“Apesar do ataque na Venezuela, as medidas do Exército na fronteira continuam as mesmas. Não houve influência até momento no cotidiano da fronteira."

O capitão Igo Maiko, da Polícia Militar de Pacaraima, explicou que não pode confirmar que os rebeldes tenham se organizado do lado brasileiro. “Nos dias que antecederam esse ataque, nenhuma anormalidade ocorreu dentro de Pacaraima em relação à movimentação de traficantes ou movimentação criminosa. Para os venezuelanos, é mais fácil jogarem essa responsabilidade para o Brasil. Não sei como eles sabiam dessas informações. Deixaram acontecer essa fatalidade e ficaram assistindo, sem dividir a informação conosco." 

A Polícia Federal em Roraima também foi procurada, mas não quis se manifestar sobre o assunto, pedindo que fosse feito contato com Brasília. A Polícia Civil também não se manifestou, informando que a “situação envolve a segurança nacional que foge da sua atribuição”./ COM AFP e EFE  

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