Andy Wong/Associated Press
Andy Wong/Associated Press

Cidade chinesa bane decoração de Natal em meio a crise religiosa na China

Vendedores com produtos natalinos serão removidos e autoridades instruem cidadãos a denunciar uso de objetos natalinos em shoppings e ruas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2018 | 15h52

HONG KONG - Sem Papai Noel, sem árvores, sem meias compridas, sem luzes. As autoridades em Langfang, uma cidade da província de Hebei, na China, baniram todas as decorações de Natal nas ruas e nas lojas, informaram autoridades da cidade.

O Natal pode ser um feriado do Ocidente, mas foi cooptado por shoppings em cidades chinesas como uma oportunidade de marketing sazonal, com árvores brilhando nas fachadas para atrair clientes. Em Langfang, no entanto, as autoridades juraram limpar toda a decoração das ruas, lojas e escolas.

A ordem é que todos os funcionários façam a limpeza entre 23 e 25 de dezembro para se certificar de que não há enfeites natalinos. Esses três dias não são feriados públicos na China, e a ordem chega em meio a uma intensa crise da atividade religiosa no país.

“O uso dos parques e outros espaços abertos para disseminar religião será gerenciado e controlado”, disse o comunicado. “Se achado, monitore de perto e reporte aos superiores”, instruíram as autoridades no sábado. Vendedores de rua vendendo árvores de Natal ou doces devem ser “removidos”.

Procurado por telefone, o escritório de administração urbana de Langfang se recusou a comentar o assunto.

O Global Times, um jornal comandado pelo Partido Comunista chinês, noticiou que os esforços de Langfang foram com a intenção de ganhar pontos nas avaliações de Cidades Civilizadas Nacional, uma campanha anual organizada pela propaganda do partido.

Críticos veem os planos de Langfang como um movimento ingrato de uma pequena cidade para bajular o governo chinês, tendo em vista os conflitos de Pequim com cristãos e muçulmanos.

“O banimento das decorações de Natal em Langfang é parte do controle do governo sobre a religião”, disse Yaqiu Wang, uma pesquisadora da Human Rights Watch. Embora muitos chineses não religiosos celebrem o Natal como um feriado secular, ela disse que o banimento reflete “o aumento da hostilidade” para os valores e cultura ocidentais.

Essa não é a primeira vez que uma cidade da China reprime a comemoração de Natal. A cidade de Hengyang, na província de Hunan, emitiu um pedido a autoridades do Partido Comunista e seus parentes para que “resistam ao crescente festival do Ocidente”.

A Liga da Juventude Comunista Chinesa em Anhui escreveu em rede social no ano passado que “o Natal é o dia da vergonha na China” e representa uma invasão tardia pelo Ocidente. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.