Beatriz Bulla/Estadão
Beatriz Bulla/Estadão

Cidade de Biden celebra eleição com esperança de país mais unido

Apoiadores do presidente eleito pelo Partido Democrata foram às ruas de Wilmington, em Delaware, para celebrar vitória neste sábado, 7

Beatriz Bulla/ enviada especial, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2020 | 18h49

Wilmington, EUA - Wilmington acordou em festa na manhã deste sábado, com a notícia de que o morador mais ilustre da cidade foi eleito presidente dos Estados Unidos. "Sim, nós conseguimos", dizia um policial com largo sorriso no rosto aos que chegavam ao entorno do centro de convenções da cidade, onde apoiadores de Joe Biden têm se reunido nos últimos dois dias à espera do discurso de vitória do democrata. 

"É um dia glorioso, o país está aliviado", disse Robin Reynolds, de 50 anos. Entre centenas de pessoas, a fisioterapeuta chamava a atenção por puxar um grito com as iniciais dos EUA. "U-S-A, U-S-A", gritava, junto de amigas. Esse tipo de manifestação é comum nos comícios de Donald Trump, onde sinais explícitos de nacionalismo são parte da programação, mas novidade nas celebrações democratas. Com a eleição de Biden, Robin reivindica o nome do país "de volta".  "Quando eles (eleitores de Trump)  gritam 'USA' é ridículo. Essas letras significam Estados Unidos da América", diz, com ênfase em "unidos", "Eles só trabalharam por divisão, não faz sentido gritarem isso. Hoje nós estamos aqui mostrando que essa é a América real. Não somos um país que rejeita pessoas, somos um país que rejeita o ódio", disse.

A festa de Wilmington tem crianças, latinos e muitos negros. É um contraste nítido com os comícios de Trump, onde o público é predominantemente branco. O sentimento comum entre todos os eleitores do democrata que celebravam nas ruas era, além de felicidade, esperança em um país mais unido.  "Essa eleição mostrou que não queremos a opressão de Donald Trump, que queremos um país decente, que queremos ir para frente e trabalhar com outros país para superar essa pandemia", afirma Heather Farber, publicitária de 47 anos, que mora na Pensilvânia, Estado que deu a vitória a Biden nesta manhã.

Dory Pabon temeu estar junto de muitas pessoas neste sábado, em razão da pandemia de coronavírus. Pensou muito, mas decidiu ir à festa porque o mais importante, segundo ela, era mostrar aos filhos que "a democracia venceu". "Tivemos uma eleição histórica", diz a porto-riquenha, ao lado dos três filhos. "É um voto pelo caráter", disse ela. 

Mesmo próximo ao local onde Biden irá discursar à noite, os apoiadores não devem conseguir assistir de perto a primeira fala do como presidente eleito. Em praticamente toda a campanha, os eventos de Biden tiveram público extremamente limitado em razão da pandemia. Os poucos comícios foram em estilo drive-in, com cada eleitor dentro de seu carro olhando para o palco de onde Biden discursava. 

O enfermeiro Chuck Foy, de 33 anos, não se importa com isso. O importante, diz, é celebrar. "Eu só votei duas vezes em democratas: em 2016, por Hillary Clinton, e agora, por Biden. Esperei quatro anos para tirar Donald Trump, estou muito feliz, precisava vir aqui", afirma. Ele comprou cadeiras de acampamento para ele, esposa e filha, que posicionou em no mais perto que conseguiu chegar do local onde Biden discursará. Na noite anterior, a família esperou por 10 horas pelo democrata. "Vamos viver em um país com integridade, com respeito, vamos voltar ao palco global, vamos combater a pandemia", diz Foy, que é registrado como eleitor republicano, mas nunca apoiou Trump. O melhor caminho para voltar a dialogar com apoiadores de Trump, segundo ele, é deixar Biden começar o trabalho. "Muitos dos trumpistas estavam desiludidos com o sistema político e ele se apresentou como um nome novo. Mas quando perceberem como é ser governado por uma pessoa de verdade, eles irão mudar", aposta.

 

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