Cidade de Goma, no Congo, mergulha no caos na madrugada

Tropas congolesas e da ONU patrulhavam a cidade de Goma na quinta-feira, depois que várias pessoas foram mortas em lutas e saques durante a madrugada, disseram oficiais do Exército e testemunhas. A cidade mergulhou no caos na quarta-feira, quando rebeldes da etnia tutsi chegaram à cidade. Eles já declararam um cessar-fogo. "Houve vários tiroteios na noite passada. Tive muita sorte por acordar vivo hoje", disse um morador de Goma que, quando perguntado qual era o seu nome, respondeu apenas: "Kerin". A força de paz da ONU vai mandar reforços à cidade, que é um importante centro comercial na fronteira entre Congo e Ruanda. As lutas fizeram com que dezenas de milhares de civis fugissem de suas casas na província de Kivu do Norte, onde agentes humanitários dizem que dois anos de violência transformaram quase 1 milhão de pessoas em refugiadas, apesar do fim da guerra do Congo (1998-2003). Ban ki-Moon, secretário-geral da ONU, disse que a violência está criando uma crise humanitária "de dimensões catastróficas". Os rebeldes fiéis ao general tutsi renegado Laurent Nkunda fazem uma rebelião contra o Exército congolês desde 2004. Nkunda acusa o Exército de se aliar aos hutus que participaram do genocídio de tutsis e hutus moderados em Ruanda, em 1994. Um repórter da Reuters viu soldados do Exército congolês patrulhando as ruas, prendendo bêbados e saqueadores. O coronel Jonas Padiri, do Exército congolês, disse que ele e seus homens entraram em Goma vindos de Kibati, a cerca de 10km ao norte, para conter os saques. Padiri disse que cinco pessoas foram mortas na madrugada. Já a rádio Okapi, apoiada pela ONU, disse que nove pessoas foram mortas e três mulheres, estupradas. Muitos dos tutsis que moram em Goma fugiram pela fronteira com a cidade ruandesa de Gisenyi, com medo de represálias. "Todos os tutsis atravessaram. As pessoas não se sentem seguras", disse Jonh Kanyoni, empresário tutsi, por telefone, falando de Gisenyi.

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