Cidade israelense perto de Gaza se torna bunker

Para proteger-se de foguetes disparados por grupos palestinos, Sderot reforma de creches a hospitais para que resistam a frequentes ataques

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

O novo condomínio em construção na pequena Sderot, ao sul de Israel, tem vista para a conturbada Faixa de Gaza - o território governado pelo grupo islâmico Hamas de onde são disparados os foguetes Qassam que aterrorizam a população. A poucos metros da fronteira, as casas são capazes de suportar os 90 quilos de peso e 10 quilos de explosivos dos novos modelos do artefato usados pelos milicianos. Sderot é uma cidade-bunker.

Com 20 mil habitantes, a pequena Sderot vive um boom imobiliário, segundo o representante da comunidade local, Salan Halvey, desde o início da reforma em massa que transformou locais públicos, parques de diversão, creches, escolas, clínicas e hospitais em bunkers. Prédios e casas residenciais antigos ganharam um anexo: quarto e banheiro anti-foguetes.

As obras foram uma conquista da comunidade junto ao governo de Israel. Após a operação na Faixa de Gaza, entre 27 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009, uma ofensiva militar que deixou 1,4 mil palestinos mortos, os moradores de Sderot imaginavam uma trégua por parte dos grupos islâmicos.

"Houve um período de calmaria e a situação é hoje melhor do que antes. Mas os ataques não cessaram por completo e já atingem áreas vizinhas ainda desprotegidas", diz Halvey. Nos últimos seis meses, segundo ele, houve 283 incidentes em Sderot, entre foguetes disparados de Gaza, bombas e tentativas de suspeitos de atravessar a fronteira.

Na semana passada, um foguete disparado de Gaza atingiu a cidade de Ashkelon, a 21 quilômetros da fronteira. O prefeito Benny Vaknin tem feito campanhas junto a instituições judaicas para levantar fundos e copiar o exemplo de Sderot, reforçando a defesa de Ashkelon.

O Hamas nega o envolvimento do grupo com os disparos recentes, mas não é capaz de conter a ofensiva de militantes de pequenos grupos aliados, como o Exército do Islã. E isso ajuda a minar a confiança dos israelenses em qualquer acordo de paz com o grupo que governa Gaza. "No entendimento de Israel, se o Hamas governa a Faixa de Gaza, é responsável pelo controle dos ataques feitos de seu território", disse ao Estado Mark Regev, porta-voz do premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

Desde o início da Segunda Intifada, em outubro de 2001, quando foguetes Qassam, começaram a ser disparados contra Sderot, 15 israelenses foram mortos. Uma nova ofensiva voltou a ser discutida na Knesset, o Parlamento israelense, na semana passada. Em retaliação ao disparo de 180 foguetes desde janeiro, segundo o governo, o Exército de Israel intensificou as operações em Gaza. Na semana passada, foram bombardeados alvos do Hamas e túneis clandestinos na fronteira com o Egito, segundo Israel, usados para o contrabando de armas e dinheiro para Gaza.

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