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Cidade russa próxima a acidente nuclear seria esvaziada, mas ordem foi cancelada

Governo justificou que atividades que iriam ocorrer na base nuclear foram canceladas, assim não havendo necessidade de retirar moradores; desde a explosão nuclear, número de vítimas e nível de radiação na região foram inicialmente abafados

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 17h29

MOSCOU - As Forças Armadas da Rússia chegaram a informar nesta terça-feira, 13, a moradores de uma cidade próxima a explosão nuclear que matou cinco funcionários na semana passada, que a população deveria sair do local. Porém, a ordem foi cancelada horas depois.

Inicialmente, os moradores de Nyonoksa, uma cidade de aproximadamente 500 habitantes, deveriam sair temporariamente, sob a justificativa de atividades não especificadas no raio da base nuclear de Nionoska.

Entretanto, algumas horas depois, as supostas atividades foram canceladas, assim como a ordem de saída, segundo uma porta-voz da administração regional de Severodvinsk, onde fica a cidade.

De acordo com a imprensa local, os habitantes da cidade recebem ordens de retiradas temporárias regularmente, normalmente agendadas para os horários de testes.

A confusão desta terça aumentou as incertezas sobre o episódio, um dia depois das autoridades russas confirmarem que a explosão foi ocasionada por testes de “novas armas” nucleares, feito por funcionários que deram assistência de engenharia e técnica sobre a "fonte de energia nuclear" de um motor-foguete para mísseis.

Apesar de não especificarem o tipo de arma, especialistas americanos afirmam que trata-se do míssil de cruzeiro Burevestnik, classificado pelo presidente Vladimir Putin em 2018 como “invencível”.

Nesta terça, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou-se a confirmar que se trata do Burevestnik, mas afirmou que o nível russo em relação a mísseis com motores nucleares "excede significativamente o alcançado por outros países e é bastante excepcional".

O motivo que levantou suspeitas neste caso foi o desencontro de informações das autoridades sobre o que de fato havia ocorrido.

Inicialmente, o ministro da Defesa da Rússia afirmou que a explosão ocorrida na quinta-feira passada havia matado duas pessoas e feriu seis, enquanto a empresa nuclear estatal Rosatom informou na segunda-feira que o saldo de mortos foi cinco, além de três feridos.

A Defesa do país também negou que houve aumento nos níveis de radiação da região. Porém, segundo estudo da agência russa de Meteorologia (Rosguidromet), o nível de radioatividade após a explosão excedeu em mais de 16 vezes o habitual. A agência disse, porém, que não há riscos para a saúde.

Em 8 de agosto de 2019, às 12h locais (6h em Brasília), imediatamente depois da explosão, "seis dos oito sensores de Severodvinsk registraram que os níveis de radiação eram entre quatro e 16 vezes superiores ao habitual", afirmou a Rosguidromet, em um comunicado.

Em particular, um dos sensores registrou uma taxa de radioatividade de 1,78 microsievert/hora. O limite regulamentar na Rússia é de 0,6 µSv/h, e a radioatividade natural média em Severodvinsk é de 0,11 µSv/h.

A Rosguidromet relata que estes níveis de radioatividade se reduziram rapidamente e, ainda na tarde do dia 8, voltaram ao padrão normal.

Logo após o ocorrido, oficiais de emergência publicaram um alerta a todos os funcionários para que ficassem dentro dos prédios e fechassem as janelas. O alarde levou os habitantes a comprarem iodo, numa tentativa de limitar os estragos que podem ser causados por exposição à radiação. / AP e AFP

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