Cidade Santa está no centro da disputa entre Israel e árabes

Cidade Santa está no centro da disputa entre Israel e árabes

Questionado sobre o que espera da nova visita a Israel de George Mitchell, enviado dos EUA ao Oriente Médio, o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, foi direto ao ponto: "Espero que ele diga aos palestinos que não há negociação sobre Jerusalém." A posição israelense, porém, nem sempre foi tão intransigente. Há dez anos, em Camp David, o premiê Ehud Barak, sob pressão do presidente Bill Clinton, considerou negociar Jerusalém Oriental. Resultado: sua coalizão se desfez e a direita de Ariel Sharon soube usar o fracasso do diálogo, somado ao início da segunda intifada, para instalar-se no poder.

Cenário: Roberto Simon, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

Entre os pontos que devem constar em um eventual acordo (traçado de fronteiras, refugiados, etc...), o status de Jerusalém é certamente o mais delicado. A Resolução 181 da ONU, de 1947, dava à cidade - sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos - a estranha condição de "território sob administração internacional".

Com a guerra de 1948, Israel passou a ocupar a porção ocidental de Jerusalém, enquanto a Jordânia ficou com a oriental, incluindo a Cidade Velha. Sob comando do general Moshe Dayan, tropas israelenses expulsaram em 1967 os jordanianos e unificaram Jerusalém, que Israel - apesar da recusa internacional - passou a considerar sua "capital única e indivisível". Nos anos 80, os israelenses anexaram unilateralmente, por meio de seu Parlamento (Knesset), Jerusalém Oriental ao seu território, medida tampouco reconhecida pela comunidade internacional.

A Autoridade Palestina, comandada pelo Fatah, reivindica a cidade capital de seu futuro Estado. Israelenses moderados admitem essa possibilidade. Os extremos dos dois lados, contudo, insistem na "indivisibilidade". A extrema direita de Israel diz que "Jerusalém é como Tel-Aviv" e, para o Hamas, só o fato de falar com israelenses seria "legitimar a ocupação sionista".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.