Cidade síria de Latakia sofre intenso tiroteio

Forças sírias estão no local desde domingo; pelo menos 34 civis já morreram

AE, Agência Estado

16 de agosto de 2011 | 09h57

NICOSIA - Fortes disparos de metralhadora e de outras armas foram ouvidos nesta terça-feira em toda a cidade síria de Latakia, na costa do Mar Mediterrâneo. O local é alvo de uma forte ofensiva militar. "Os disparos de metralhadora foram intensos em áreas de Latakia, Ramel, Masbah al-Shaab e Ain Tamra por mais de três horas", informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres.

 

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Desde domingo, 34 civis foram mortos em Latakia numa ofensiva que contou com o uso de canhoneiras pelas forças de segurança, marcando a primeira vez que essas embarcações foram usadas contra manifestantes pró democracia, que iniciaram os protestos em meados de março. A agência oficial de notícias da Síria, a Sana, negou a operação marítima.

A Agência de Assistência a Refugiados Palestinos (Unrwa, pela sigla em inglês) informou que mais de 5 mil refugiados fugiram do campo Ramel, no sul da Latakia, sob disparos das forças de segurança.

O jornal sírio Al-Watan informou nesta terça-feira que Latakia está "sob controle" do Exército. "A situação (em Latakia) está sob controle, especialmente depois de o Exército ter detido dezenas de homens armados durante uma complicada operação", diz o diário. "Homens armados montaram barricadas para a colocação de minas e, dessa forma, impedir o Exército de avançar", o que "levou os moradores a fugir para locais próximos", afirmou a publicação.

Na noite de segunda-feira, um manifestante foi morto e outros dez ficaram feridos na cidade de Homs, região central do país, quando as forças de segurança abriram fogo contra os ativistas.

Na cidade de Qusayr, que fica nas proximidades, cerca de 7 mil pessoas pediram a queda do governo do presidente Bashar Assad ao saírem às ruas para uma marcha, apesar da forte presença das forças de segurança, disseram ativistas.

O governo sírio afirma repetidamente que está combatendo "gangues armadas", afirmação negada por grupos de direitos humanos que afirmam que a repressão já matou 1.827 civis desde meados de março. No mesmo período, 416 integrantes das forças de segurança também perderam suas vidas.

Nas primeiras duas semanas de agosto, desde o início do mês sagrado do Ramadã, 260 pessoas, dentre elas 14 mulheres e 31 crianças, morreram de acordo com contagem de comitês de manifestantes.

 

As informações são da Dow Jones.

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