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Cidades da Espanha registram distúrbios durante greve geral

Manifestantes promovem piquetes e hostilizam trabalhadores que não aderiram à greve

Théa Rodrigues, especial para o estadão.com.br,

29 Março 2012 | 10h24

BARCELONA - Desde as primeiras horas desta quinta-feira, 29, manifestantes realizam piquetes em ruas, estradas, lojas e empresas na Espanha, na tentativa de promover a greve geral convocada pelos dois maiores sindicatos do país, Comissões Operárias (CCOO) e União Geral de Trabalhadores (UGT).

 

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A iniciativa demonstra o rechaço dos cidadãos à reforma laboral aprovada no dia 11 do mês

passado, pelo governo de Mariano Rajoy (Partido Popular). Além disso, o descontentamento com as medidas de austeridade e o recorde no índice de desemprego - 22,85% da população - são outros pontos que favorecem o apoio popular à greve.

 

Ignacio Fernández Toxo, secretário da CCOO, qualificou a convocatória como "inevitável". Em declaração aos jornalistas, Toxo afirmou que os sindicatos tentaram, sem êxito, forçar uma negociação "para que a reforma laboral não visse a luz". Soraya Rodriguez, porta-voz do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) no Congresso, disse que "não houve vontade, por parte do governo, de negociar a reforma".

 

Impacto menor que em 2010

 

Segundo informe publicado pelo Ministério do Interior da Espanha, até as 11h da manhã (6h em Brasília), o impacto da greve era inferior ao registrado em 2010. Ainda de acordo com o documento, o funcionamento dos serviços mínimos está estabelecido "graças aos cidadãos que escolheram comparecer livremente a seus postos de trabalhos".

 

Em Barcelona, algumas lojas e restaurantes abriram as portas mesmo diante da pressão popular. O Corte Inglês, maior loja de departamentos do país, foi cercado por manifestantes que tentaram impedir a entrada tanto de trabalhadores, quanto de consumidores. A polícia antidistúrbios interveio para garantir a segurança daqueles que não aderiram à greve geral.

 

Em entrevista coletiva, a ministra do Emprego e Segurança Social, Fatima Báñes, afirmou que "a reforma laboral não será modificada por conta da greve”. Javier Garcia, funcionário do metrô e filiado à UGT, que esteve presente nas manifestações, disse que "este é apenas o começo, esta greve não é o final de nada”.

 

Incidentes e distúrbios

 

Até meio da tarde (horário local), algumas incidências de violência foram registradas pelo país. Nas cidades de Valência, Barcelona, Madri e Zaragoza pessoas foram presas por desacato à autoridade e por vandalismo. Alguns manifestantes queimaram contêineres nas ruas e utilizaram a força para impedir que pessoas chegassem ao trabalho.

 

De acordo com o jornal La Vanguardia, até as 13h 22 pessoas foram presas na região da Catalunha. Em Zaragoza, um líder sindical foi detido durante um piquete no mercado central de abastecimento da cidade.

 

Paralisados

 

Um dos serviços mais afetados durante a greve foi o de transporte público: trens, metrôs e ônibus ficaram paralisados nas principais cidades espanholas. Aeroportos e companhias aéreas também trabalham com capacidade reduzida. As aulas foram suspensas em escolas e faculdades. Em Barcelona, a mais afetada foi a Universidade Autônoma, cujos acessos foram bloqueados já na quarta-feira.

 

No País Basco, as fábricas da Mercedes e Michelin entraram em paralisação. A fábrica da Volkswagen em Pamplona também fechou as portas durante a jornada de quinta. Os canais de televisão Telemadrid, Canal Sur e Canal 9 estão sem sinal desde a meia-

noite de quinta. A TV3 também fez modificações em sua programação, exibindo reprises e documentários.

 

Na capa do site do jornal Público há um comunicado segundo o qual a redação decidiu apoiar a greve e, por isso, não haverá atualizações durante o período.

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