Courtesy of Twitter/Gravemorgan/via REUTERS
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Cidades dos EUA registram 3ª noite de protestos raciais após morte de Daunte Wright

Kim Potter, policial que atirou e matou Daunte Wright, pediu demissão; ela diz ter confundido sua pistola com arma de choque

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2021 | 20h35

MINNEAPOLIS, EUA - Várias cidades americanas registraram nesta terça-feira, 13, a terceira noite seguida de protestos raciais. A nova onda de manifestações começou no domingo, após Daunte Wright, negro de 20 anos, ser morto pela policial Kim Potter na cidade de Brooklyn Center, subúrbio de Minneapolis. 

Nos últimos dias, manifestações foram registradas em Nova York, onde uma multidão marchou do bairro do Brooklyn até a ilha de Manhattan, em Minneapolis, Kansas City, Omaha, Los Angeles, Portland e Seattle, onde foi montada uma vigília com velas acesas.

Nesta terça-feira, a policial que atirou em Wright pediu demissão. Kim trabalhava no Departamento de Polícia de Brooklyn Center havia 26 anos. Segundo depoimentos e imagens de vídeo, ela pretendia usar o taser – arma de choque elétrico –, mas se confundiu e sacou a pistola. 

No início da tarde de domingo, policiais pararam Wright em razão de uma infração de trânsito. Quando descobriram que ele tinha um mandado de prisão pendente, tentaram prendê-lo. Ele já estava fora do carro quando reagiu à prisão e começou a brigar com um dos agentes.

Imagens de câmeras usada no corpo dos policiais mostram Kim correndo para ajudar o agente que lutava contra Wright. Ela puxou sua pistola e a segurou por sete segundos, gritando três vezes: “Taser, taser, taser” (a arma de eletrochoque, em inglês). Em seguida, ela dispara contra Wright. “P..., atirei nele”, disse Kim, surpresa.

Mesmo ferido, Wright conseguiu entrar no carro e arrancar, dirigindo por alguns quarteirões antes de bater em outro veículo. Os policiais ainda tentaram reanimá-lo, mas ele morreu no local. A namorada, que estava no banco do carona, ficou ferida. 

A polícia considerou o caso como um “disparo acidental”. Nesta terça-feira, no entanto, especialistas tentaram explicar como uma policial com 26 anos de experiência poderia ter confundido a pistola com uma arma de choque, bem mais leve e desenhada especialmente para se diferenciar de uma arma de fogo.

Alguns citaram dois casos parecidos. O primeiro de 2009, em Oakland, na Califórnia, quando um guarda de trânsito sacou a pistola, em vez do taser, e matou Oscar Grant, de 22 anos. O segundo de 2015, em Tulsa, no Estado de Oklahoma. Um policial matou Eric Harris, de 44 anos, ao disparar acidentalmente seu revólver também pensando que era uma arma de choque. Ambos – Grant e Harris – eram negros.

Para Entender

O caso Daunte Wright

Jovem negro de 20 anos foi baleado e morto pela polícia na cidade de Brooklyn Center, em Minnesota

A morte de Wright parece parte de um roteiro conhecido de violência policial contra negros nos EUA. Segundo estudo da Northwestern University, publicado em 2019, um em cada 1.000 negros americanos é morto pela polícia. O risco aumenta entre os 20 e 35 anos. 

Wright foi morto a poucos quilômetros de onde está sendo realizado o julgamento do ex-policial Derek Chauvin, acusado de assassinar outro negro, George Floyd, no ano passado. Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Joe Biden, pediu que os protestos contra a morte de Wright sejam pacíficos e defendeu uma investigação completa do incidente. “É realmente uma coisa trágica o que aconteceu, mas acho que temos de esperar e ver o que a investigação mostrará”, disse Biden. 

A mãe de Wright, Katie, disse que o filho lhe telefonou no domingo para dizer que a polícia o havia parado por ter um desodorizador pendurado no espelho retrovisor, o que é ilegal em Minnesota. Ela disse que ouviu um policial pedir que o filho saísse do carro. “Ouvi uma briga, e ouvi policiais dizendo ‘Daunte, não corra’”, contou a mãe, aos prantos. Segundo Katie, a ligação caiu e, quando ela ligou de volta, a namorada do filho atendeu e disse que ele estava morto no banco do motorista.

O pai de Wright, Aubrey, disse ao programa Good Morning America, da ABC, que rejeita a explicação de que a policial Kim Potter possa ter confundido sua pistola com uma arma de eletrochoque. “Eu perdi meu filho. Ele nunca mais vai voltar. Eu não posso aceitar isso. Um erro? Isso não parece certo. Esta policial está na ativa há 26 anos. Eu não posso aceitar isso”, afirmou./ NYT e AP

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