REUTERS/Eduardo Munoz
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Cidades e Estado se rebelam contra decisão de Trump

Mesmo com a saída dos EUA do Acordo de Paris, eles prometem manter as metas de reduções de emissões de gases de efeito estufa

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 22h10

Mais populoso, mais rico e mais inovador Estado americano, a Califórnia está na linha de frente do combate à política ambiental de Donald Trump e nesta quinta-feira declarou guerra à decisão do presidente de abandonar o Acordo de Paris. “A Califórnia vai resistir a esse curso de ação equivocado e insano”, disse o governador Jerry Brown.

A saída do pacto climático enfrenta resistência em várias cidades e Estados dos EUA, que prometem manter as metas de redução de emissões. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou que editará um decreto nos próximos dias para expressar o compromisso da cidade com os objetivos do Acordo de Paris.

Na negociação com os demais países, os EUA disseram que reduzirão suas emissões em 26% a 28% até 2025, considerando o patamar de 2005.

“Se a administração não atuar em relação ao clima, os Estados atuarão”, afirmou o governador de Nova York, Andrew Cuomo, que também assinará um decreto reiterando o compromisso com as metas do Acordo de Paris. O Estado de Washington, na Costa Leste, tem a mesma posição.

“Eu fui eleito para representar os cidadão de Pittsburgh, não os de Paris”, disse Trump, ao anunciar sua decisão de abandonar o acordo climático. Minutos depois, o prefeito da cidade, o democrata Bill Peduto, respondeu no Twitter: “Como prefeito de Pittsburgh, posso assegurar a vocês que vamos seguir os princípios do Acordo de Paris para nosso povo, nossa economia e futuro”.

As the Mayor of Pittsburgh, I can assure you that we will follow the guidelines of the Paris Agreement for our people, our economy & future. https://t.co/3znXGTcd8C

Em novembro, 56% dos eleitores da cidade escolheram o nome de Hillary Clinton na cédula eleitoral. Trump conquistou 40% dos votos. Pittsburgh fica no chamado Cinturão da Ferrugem dos EUA e sofreu com o processo de desindustrialização acentuado desde a década de 80. Mas em anos recentes a cidade se recuperou, graças ao investimento em tecnologia e inovação.

Antes de Trump anunciar sua decisão, prefeitos de 75 municípios que representam 42 milhões de pessoas publicaram manifesto no qual defendiam a permanência dos EUA no acordo. Governadores de 12 Estados com 107 milhões de habitantes fizeram o mesmo.

A Califórnia lidera os Estados Unidos na questão ambiental e costuma adotar regras mais rigorosas que o restante do país em relação a emissões, uso de combustíveis mais limpos e investimentos em energia renovável. “A Califórnia, a sexta maior economia do mundo, promoveu seus objetivos climáticos, que estão na liderança do país, ao mesmo tempo em que garantiu crescimento econômico”, afirmou o governador Brown, rejeitando a tese de Trump de que os compromissos do Acordo de Paris prejudicam a economia.

Em março, Brown já havia anunciado sua intenção de estabelecer as metas mais ambiciosas dos EUA de redução de emissões de gases poluentes e as mais duras restrições a empresas que são “super poluidoras”.

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