Natacha Pisarenko / AP
Natacha Pisarenko / AP

CIDH pede investigação internacional sobre mortes na Bolívia

Comissão da Organização dos Estados Americanos qualificou de massacres as mortes de civis em duas cidades do país durante a onda de violência depois da controvertida eleição presidencial de outubro e pediu que casos sejam apurados

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 11h52

LA PAZ - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) recomendou a realização de uma investigação internacional sobre as graves violações ocorridas durante os protestos na Bolívia que resultaram na morte de 35 pessoas.

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Em um relatório preliminar após sua visita ao país, a CIDH expressou sua "condenação dos massacres de Sacaba e Senkata, nos quais teriam sido cometidas graves violações de direitos humanos".

Nos dois locais, 18 apoiadores do ex-presidente Evo Morales morreram, a maioria deles por disparos de armas de fogo, durante uma operação policial contra os protestos. Quando os eventos ocorreram, o ministro da Defesa, Fernando López, disse que os projéteis usados não eram compatíveis com os das forças armadas.

O Instituto de Investigação Forense estabeleceu que 27 das vítimas morreram por tiros, mas o chefe de gabinete, Arturo Murillo, sugeriu que as mortes podem ter sido causadas por infiltrados com a intenção de culpar o governo.

A CIDH também recomendou que o governo "adote medidas para investigar, processar e punir os responsáveis por todos os atos de violência e para desmantelar os grupos armados privados que exerceram violência contra a população civil".

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Essa agência da Organização dos Estados Americanos (OEA) também pediu que o governo "entregue salvo-condutos aos solicitantes de asilo abrigados nas embaixadas do México e da Argentina" para que eles possam exercer seu direito de asilo e refúgio.

Segundo o governo, 25 pessoas estão na embaixada mexicana em La Paz aguardando o documento, incluindo o ex-chefe de gabinete, Juan Ramón Quintana, contra quem o governo iniciou uma ação criminal por sedição e terrorismo.

Evo enfrenta outra acusação semelhante. O governo acusa o ex-presidente de incentivar os protestos.

Fim de uma era

Evo renunciou à presidência em 10 de novembro, pressionado por protestos em razão de supostas fraudes eleitorais na votação presidencial de outubro. Após sua renúncia, seus apoiadores iniciaram uma onda de protestos violentos, especialmente em La Paz e Cochabamba.

O ex-presidente, que esteve no poder por quase 14 anos, acusou os oponentes de um golpe de Wstado e foi para o exílio no México, facilitando o caminho para a senadora da oposição Jeanine Áñez se declarar presidente de transição com a missão de convocar novas eleições.

Uma auditoria internacional da OEA estabeleceu que nas eleições havia "manipulação" dos resultados. As autoridades eleitorais enfrentam um julgamento criminal por esse motivo. / AP e EFE

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