Cientista americano revela nova e mais eficiente central nuclear de Pyongyang

Ameaça crescente. Instalação visitada por especialista teria capacidade para enriquecer rapidamente grande quantidade de urânio, o que daria ao pobre e isolado país comunista condição para ampliar seu ameaçador arsenal atômico, apesar de sanções da ONU

David E. Sanger, The New York Times, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

A Coreia do Norte mostrou a um cientista nuclear americano que visitou o país este mês uma nova instalação construída secreta e rapidamente para o enriquecimento de urânio, confrontando o governo de Barack Obama com a perspectiva de o regime de Kim Jong-il estar se preparando para expandir seu arsenal nuclear ou construir um tipo muito mais poderoso de bomba atômica.

A revelação calculada pode ser parte de uma estratégia de negociação ou um sinal de que o país planeja acelerar seu programa de armas enquanto atravessa um delicado processo de sucessão. O cientista em questão, Siegfried S. Hecker, professor de Stanford que já foi diretor do Laboratório Nacional de Los Alamos, disse ter ficado "surpreso" com a sofisticação da nova instalação, na qual disse ter visto "centenas e centenas" de centrífugas que tinham acabado de ser instaladas num edifício recentemente reformado que antes abrigava uma antiga central de fabricação de combustível - operadas a partir do que ele chamou de "sala de controle ultramoderna".

Representantes do governo americano dizem que a instalação não existia em abril de 2009, quando a última equipe de inspetores internacionais foi expulsa do país. A velocidade de sua construção sugere que a Coreia do Norte - país isolado e de economia devastada, cuja população enfrenta a fome - pode ter recebido ajuda estrangeira e escapado das rígidas sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Uma delegação de especialistas americanos que incluía Hecker já relatou a confirmação de evidências fotográficas via satélite de outro avanço importante dos norte-coreanos - um reator de água-leve em construção no local de uma instalação que o país desmantelou como parte de um acordo com a comunidade internacional para pôr um fim ao seu programa de armas nucleares.

Inicialmente, Hecker não mencionou a surpreendente descoberta da operação de enriquecimento de urânio depois de deixar a Coreia do Norte. Ele informou a Casa Branca em caráter particular alguns dias atrás.

A Casa Branca pretende usar as novas informações para mostrar que a Coreia do Norte, violando as determinações da ONU, continua a progredir significativamente no avanço do seu programa de armas.

Representantes do governo americano foram enviados à China, ao Japão, à Rússia e à Coreia do Sul, os demais membros do moribundo grupo de seis países envolvido nas negociações para desarmar a Coreia do Norte.

O governo Obama espera também convencer a China, que representa sem dúvida a principal fonte de apoio político e econômico dos norte-coreanos, a exercer mais pressão sobre o governo de Kim Jong-il, que tem mostrado sinais de uma crescente militarização enquanto um filho de Kim - Kim Jong-un - prepara-se para assumir o poder.

A China tem se mostrado hesitante em interromper o comércio e o fornecimento de combustível à Coreia do Norte e parece determinada a apoiar sua antiga e difícil aliada durante o processo de sucessão.

Hecker disse ter sido proibido de tirar fotos durante a visita, em 12 de novembro, e não pôde verificar a veracidade das afirmações dos norte-coreanos quanto ao início da produção de urânio de baixo enriquecimento. Ele disse também que tem dúvidas quanto à possibilidade de a Coreia do Norte cumprir a promessa de construir um reator de para utilizar o combustível físsil. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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