Cientista do Irã foge para embaixada nos EUA, diz TV

Um cientista nuclear iraniano que Teerã afirma ter sido sequestrado por espiões dos Estados Unidos no ano passado se refugiou na seção iraniana da embaixada do Paquistão em Washington, informou hoje a imprensa estatal do Irã. "Shahram Amiri, o especialista iraniano sequestrado, se refugiou na seção de interesses do Irã em Washington horas atrás", publicou o site da televisão estatal do Irã. O veículo de imprensa acrescentou que ele pediu "um rápido retorno a Teerã".

AE, Agência Estado

13 de julho de 2010 | 11h24

A agência estatal iraniana IRNA citou uma "fonte informada" do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmando que seus funcionários haviam "contatado a seção de interesses iranianos em Washington, que confirmou o relato de que Shahram Amiri havia se refugiado ali". Os interesses do Irã nos EUA são gerenciados pela embaixada do Paquistão, já que Teerã e Washington não têm laços diplomáticos há mais de três décadas.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou, em Islamabad, que ele soubera que funcionários iranianos estavam tomando os passos para a repatriação do cientista. Funcionários do Departamento de Estado dos EUA ainda não comentaram o caso.

Funcionários iranianos argumentavam que Amiri havia sido capturado por agentes norte-americanos no ano passado, na Arábia Saudita, após ele chegar para uma peregrinação muçulmana. O Irã na semana passada afirmou ter enviado "provas" à embaixada suíça de que Amiri havia sido capturado por agentes dos EUA.

A embaixada da Suíça cuida dos interesses norte-americanos em Teerã. O Irã já convocou pelo menos duas vezes o embaixador suíço em Teerã para tratar do caso do cientista e exigia a repatriação de Amiri e de outros dez cidadãos iranianos que estariam detidos ilegalmente em território norte-americano.

CIA

Em 29 de junho, a televisão iraniana divulgou um vídeo de um homem que afirmava ser Amiri dizendo que ele havia conseguido escapar das mãos dos agentes na Virgínia. "Eu posso ser preso de novo a qualquer momento por agentes dos EUA (...) Eu não estou livre e não posso contatar minha família. Se algo acontecer e eu não voltar vivo para casa o governo dos EUA será responsável", afirmou ele, dizendo que não havia "traído" seu país. Funcionários norte-americanos afirmaram que as declarações veiculadas pela mídia iraniana eram falsas.

Amiri desapareceu em junho de 2009 após chegar à Arábia Saudita para uma peregrinação. Em março, a rede norte-americana ABC afirmou que Amiri estava trabalhando para a norte-americana Agência Central de Inteligência (CIA). A ABC afirmou que agentes dos EUA disseram que a deserção do cientista foi "um golpe de inteligência" nos esforços para minar o controverso programa nuclear iraniano. Os EUA temem que o Irã busque secretamente produzir armas nucleares, mas Teerã diz ter apenas fins pacíficos. As informações são da Dow Jones.

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