Cientista paquistanês denuncia suborno da Coreia do Norte

''Pai'' da bomba do Paquistão apresenta documentos ''provando'' que Pyongyang comprou funcionários de Islamabad

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08 de julho de 2011 | 00h39

ISLAMABAD

Conhecido como o "pai" da bomba atômica paquistanesa, o cientista Abdul Qadeer Khan apresentou ontem vários documentos que supostamente provam que autoridades de Islamabad receberam propinas para entregar segredos nucleares à Coreia do Norte ao longo dos anos 90.

A denúncia foi prontamente desmentida pelos paquistaneses citados nos documentos, mas especialistas e fontes ocidentais de inteligência - que por anos suspeitaram da cooperação clandestina entre Islamabad e Pyongyang - afirmaram que as provas parecem autênticas. Entre os documentos entregues está uma carta norte-coreana de 1998, redigida em inglês, na qual os termos da parceria secreta entre os dois países são detalhados.

Khan afirma ainda ter entregado pessoalmente US$ 3 milhões a militares de alta patente do Paquistão, que teriam aprovado o repasse de tecnologia e equipamento nuclear a cientistas da Coreia do Norte.

Proliferação. O cientista é considerado um herói nacional no Paquistão por ter transformado o país numa potência nuclear nos anos 90 - à época, a vizinha e histórica rival Índia já tinha seu próprio arsenal atômico. No entanto, o cientista foi acusado por potências ocidentais de chefiar o maior esquema de tráfico de tecnologia nuclear da história. Na lista dos clientes de Khan estariam países como Irã, Síria, Líbia e Coreia do Norte.

Em 2004, o "pai" da bomba paquistanesa admitiu ter vendido segredos a países párias. A Justiça de Islamabad colocou-o em prisão domiciliar, mas a sentença foi revogada em 2009. Khan recentemente rompeu com a cúpula militar e passou a denunciar autoridades que teriam colaborado com regimes que buscavam capacidade nuclear.

Entre as autoridades citadas nos documentos está Jehangir Karamat, ex-chefe do serviço de inteligência do Paquistão. Ele é acusado de também ter recebido, sozinho, US$ 3 milhões pela cooperação com Pyongyang.

Karamat rebateu ontem as acusações e negou envolvimento no escândalo de proliferação nuclear. Segundo ele, Khan quer "jogar a culpa nos outros" e está espalhando "informações maliciosas". / THE WASHINGTON POST

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