Cientista político defende mensalidade em universidade pública

O cientista político Simon Schwartzman defendeu, nesta sexta-feira, durante o seminário "Ensino Superior e Distribuição de Renda do Brasil", promovido pelo executiva nacional do PFL, a cobrança de mensalidade pelas universidades públicas federais como uma das saídas para melhorar o ensino público no País.Segundo o pesquisador, a mensalidade seria cobrada apenas dos alunos de maior renda."O dinheiro das mensalidades seria usado para a manutenção do crédito educativo, como também para o financiamento daqueles alunos mais pobres, que não têm condições de pagar uma faculdade privada", afirmou.Para Schwartzman, o ensino superior público brasileiro representa hoje um sistema caro e elitizado."O governo gasta R$ 8 bilhões por ano para manter 35% do total de alunos que estão no ensino superior, enquanto a grande maioria (65%) estuda em faculdades privadas", disse.Há mais de um mês as universidades federais enfrentam uma greve de professores por melhores salários.O problema, segundo o cientista político, é que 90% da receita das universidades públicas são usados para o pagamento de funcionários e aposentados."O resultado é que o governo gasta muito com o ensino superior, e os professores continuam ganhando mal", avaliou.Para o pesquisador, as universidades federais deveriam ter mais autonomia administrativa e financeira, com o poder de criar novos cursos ou mesmo de fechar os menos procurados, demitindo seu corpo docente."O professor só será valorizado a partir do momento que houver competição no setor público", acredita.Segundo Schwartzman, a universidade pública, muitas vezes, não tem como contratar um professor porque não pode oferecer o salário que o mercado exige."E isso acontece porque há um nivelamento geral dos vencimentos no setor público: o professor do curso com maior apelo mercadológico ganha o mesmo salário daquele que dá aula em um departamento com 10 alunos", disse.O secretário-geral do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), coordenador do seminário sobre educação, disse que a proposta do professor Simon Schwartzman será levada ao Congresso Nacional do partido, nos dias 5 e 6 de dezembro, quando os pefelistas pretendem discutir um programa de governo para um provável candidato da aliança (PFL, PMDB e PSDB) à sucessão presidencial de 2002."É importante que fique claro que, por enquanto, estamos apenas discutindo propostas", disse Aleluia, que fez questão de ressaltar que o PFL não defende, pelo menos por enquanto, a cobrança de mensalidade pelas universidades federais."Essa é uma questão muito delicada e que só deve ser analisada depois que ouvirmos todas as partes envolvidas", afirmou.

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