Eva Hambach/AFP
Eva Hambach/AFP

Cientistas adiantam relógio do apocalipse, que agora está a 100 segundos para meia-noite

No ano passado, o relógio indicava dois minutos para a meia-noite; um grupo de especialistas, incluindo 13 premiados com o Prêmio Nobel, estabelece a cada ano a nova hora 

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 21h24

WASHINGTON - O relógio do apocalipse, imaginado em 1947 para simbolizar a iminência de uma guerra nuclear, foi adiantado e agora marca 100 segundos para a meia-noite, diante do risco do aquecimento global e da proliferação nuclear

"Agora estamos expressando em segundos o tempo que separa o mundo da catástrofe e do desastre, não mais em minutos", disse Rachel Bronson, presidente e diretora-executiva do Bulletin of Atomic Scientists, em entrevista coletiva em Washington.  

No ano passado, o relógio indicava dois minutos para a meia-noite. Um grupo de especialistas, incluindo 13 premiados com o Prêmio Nobel, estabelece a cada ano a nova hora. 

Originalmente, após a 2ª Guerra, o relógio indicava sete minutos para a meia-noite. Em 1991, no fim da Guerra Fria, o ponteiro retrocedeu a 17 minutos para a meia-noite. Em 1953, assim como nos dois últimos anos, o relógio apontava que faltavam 2 minutos para a meia-noite. 

Sobre a questão nuclear, os pesquisadores constataram o desmantelamento do mecanismo de controle internacional de armas, com a saída dos Estados Unidos e da Rússia do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), em 2019. 

Os Estados Unidos de Donald Trump ameaçam não renovar o acordo sobre armas nucleares estratégicas, assinado em 2010, após o prazo final, marcado para 2021. 

"Este ano, podemos ser testemunhas de outros eventos além do colapso total do acordo nuclear iraniano", avaliou a especialista Sharon Squassoni. Em relação à Coreia do Norte, as negociações diretas de Trump com Kim Jong-un ainda não deram frutos.

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Os especialistas destacam ainda o fracasso de duas grandes cúpulas dedicadas ao clima, que não geraram os compromissos necessários dos principais países contaminantes para reverter a curva de emissões de gases do efeito estufa.

O ano de 2019 foi o segundo ano mais quente registrado, depois de 2016, e as mudanças climáticas se manifestaram com recordes de calor, com o derretimento do Ártico e os incêndios na Austrália. 

"Se a humanidade está tornando o clima o oposto da era do gelo, não temos nenhum motivo para acreditar que o mundo seguirá sendo um lugar acolhedor para a civilização humana", adverte Sivan Kartha, do Stockholm Environmental Institute. / AFP 

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