Cientistas debatem descoberta na Suíça

Os físicos da equipe que mediram partículas subatômicas que pareciam viajar a uma velocidade maior que a luz disseram nesta sexta-feira estarem tão surpresos e céticos como seus críticos por causa dos resultados, que parecem violar as leis da natureza tal como estabelece a ciência. Centenas de cientistas se concentraram no auditório de um dos laboratórios mais avançados na fronteira entre a França e a Suíça, para saber como o neutrino superou uma velocidade que acreditavam ser insuperável, quase 300 mil quilômetros por segundo, e que teria abalado a teoria de Albert Einstein.

AE, Agência Estado

23 Setembro 2011 | 16h53

"Para nossa grande surpresa, achamos uma anomalia", disse Antonio Ereditato, cientista que participou da experiência e falou em nome da equipe. Segundo a teoria especial da relatividade de Einstein, formulada em 1905, nada pode superar a velocidade da luz, exatamente a 299.792 quilômetros por segundo. Até agora, ela foi considerada um limite cósmico de velocidade.

A equipe, formada por uma colaboração de cientistas do Instituto Nacional de Investigação Nuclear e Física das Partículas, da França, e o Laboratório Nacional Gran Sasso, da Itália - disparou um feixe de neutrino e 730 quilômetros sob a terra, de Genebra (Suíça) até a Itália. A equipe descobriu que o neutrino viajou a 60 nanossegundos mais rápido que a luz. Isso significa sessenta mil milionésimos de segundo.

"Alguém poderia dizer que isso é insignificante, mas não é. É algo que podemos medir com grande precisão e uma incerteza minúscula", comentou Ereditato à Associated Press.

Se a experiência for repetida de maneira independente - com maior probabilidade por equipes dos Estados Unidos e do Japão - então obrigaria a revisão dos princípios da física moderna.

"Todos sabem qual é o limite da velocidade, o da luz. Se alguém encontra alguma partícula de matéria como o neutrino que viaja mais rapidamente, é algo que atrairá a atenção imediata de todos, inclusive a de nós", agregou Ereditato, pesquisador da Universidade de Berna, Suíça.

Alguns físicos que não participam da experiência estão céticos. Alvaro De Rujula, um físico teórico da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN, pela sigla em francês), perto de Genebra, cidade a partir de onde foi lançado o feixe de neutrinos, atribuiu a leitura a algum erro humano ainda não detectado.

Segundo ele, se esse não for o caso, poderão ser abertas as portas a possibilidades insólitas. Uma pessoa, disse De Rujula, "poderia teoricamente viajar ao passado e matar a mãe antes de nascer".

Mas Ereditato e sua equipe não se preocupam com essas conjecturas de ficção científica. "Prosseguiremos nossos estudos e aguardaremos pacientemente a confirmação", disse.

As informações são da Associated Press.

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