Cientistas pedem ação contra escassez de água e energia

Cientistas de 15 países fizeram na quinta-feira um apelo por uma melhor resposta política a problemas como o fornecimento de água e energia para um planeta que deve chegar a 9 bilhões de habitantes dentro de 30 anos.

CHRIS WICKHAM, REUTERS

10 Maio 2012 | 17h28

A declaração conjunta de algumas das principais academias científicas do mundo foi emitida na véspera de uma cúpula do G8 nos Estados Unidos, e é parte de um esforço anual que busca chamar a atenção dos líderes mundiais para questões que a comunidade científica considera cruciais.

Pela primeira vez, os signatários argumentam que a iminente escassez de água e energia deve ser tratada como um só assunto.

"Grandes pressões sobre a disponibilidade de energia e água já estão sendo sentidas em muitos países e regiões, e mais são previsíveis", disse a declaração.

A matriz energética mundial é formada basicamente por combustíveis fósseis, energia nuclear e energia hidrelétrica, e todas elas precisam de muita água para resfriamento ou para alimentar turbinas. Analogamente, o bombeamento, purificação e dessalinização da água exigem grandes quantidades de energia.

"Sem considerar água e energia juntos, ineficiências vão ocorrer, aumentando a escassez de ambos", alerta o texto, que propõe a integração de políticas para as duas coisas e enfatiza a necessidade de conservação, eficiência e cooperação transnacionais.

Outro alerta do texto é por maior preparação contra desastres decorrentes de tsunamis, terremotos e diques que sejam incapazes de conter o aumento do nível do mar.

"Desastres com absoluta certeza ocorrerão", disse à Reuters Michael Clegg, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, acrescentando que o aumento da população global, atualmente em 7 bilhões, vai se concentrar em áreas costeiras, que são mais vulneráveis, e que isso torna "mais importante que projetemos para a resistência".

Os cientistas disseram que os prejuízos globais por desastres naturais superaram os 200 bilhões de dólares nos anos de 2005, 2008 e 2011, mas que a perda de vidas em geral é bem mais baixa nos países desenvolvidos.

Os governos deveriam focar em esforços para melhorar os sistemas públicos de saúde, fortalecer os códigos urbanísticos e aproveitar a tecnologia da informação para permitir mais rapidez nos alertas e na reação.

Outra recomendação é que os governos estabeleçam uma mensuração mais precisa das emissões de gases do efeito estufa e das florestas capazes de absorver parte das emissões.

A declaração é assinada por integrantes de academias científicas dos Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Marrocos e África do Sul.

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