Cientistas recriam distúrbio cardíaco em laboratório

Pesquisadores usaram células-tronco tiradas de crianças para recriar células cardíacas pulsantes com condição rara em laboratório

REUTERS

09 de fevereiro de 2011 | 19h14

CHICAGO - Usando células-tronco tiradas de crianças com uma rara alteração dos batimentos cardíacos, cientistas dos EUA criaram em laboratório células cardíacas pulsantes, contendo o mesmo problema - o que permitirá que os pesquisadores testem novos medicamentos em células humanas, em vez de ratos.    

 

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Uma droga contra o câncer que está sendo desenvolvida pelo laboratório Cyclacel, por exemplo, parece ter efeito sobre essas células, segundo artigo publicado na quarta-feira na revista Nature pela equipe de Ricardo Dolmetsch, da Universidade Stanford.

Esse é um dos primeiros estudos que empregam a nova tecnologia que cria modelos de doenças humanas ao reprogramar células comuns para se comportarem como células-tronco embrionárias - que funcionam como um "manual de instruções" do organismo, podendo dar origem a qualquer tipo de tecido.

Esse método, chamado de "células-tronco pluripotente induzidas" (iPS), foi descoberto em 2006, e pode dar origem a cultivos celulares que sobrevivem por meses ou anos a fio em laboratórios.

A equipe de Dolmetsch recolheu células cutâneas de crianças com a síndrome de Timothy, um distúrbio genético raro que provoca autismo e arritmia cardíaca, o que pode ser letal.

Por telefone, Dolmetsch contou que o trabalho de transformação das células cutâneas em células cardíacas levou cerca de quatro anos. Foram usadas células de duas crianças com a síndrome de Timothy, e de cinco pessoas normais. As células foram induzidas a se tornarem células do átrio e ventrículo cardíacos, e das células nodais - a "parte elétrica" do coração. Esse três tipos de células espontaneamente se agruparam para formar pequenos corações com uma só câmara.

Nos cultivos obtidos de pacientes doentes, o coração tinha um ritmo mais irregular. A equipe então as submeteu a várias drogas contra arritmia. Nenhuma funcionou, mas houve sucesso com a substância experimental roscovitine, atualmente na fase 2 dos testes clínicos.

Dolmetsch-se disse que a droga precisaria ser alterada para uso em doenças cardíacas reais, mas que sua descoberta já aponta para as promissoras possibilidades das iPS como forma de estudar doenças humanas, especialmente em casos nos quais não há bons equivalentes animais. "O potencial é realmente grande", disse ele.

A equipe dele também estuda outras formas genéticas de problemas cardíacos, e criaram em laboratório um modelo de fibrilação ventricular, um importante fator de mortes cardíacas, que faz 400 mil vítimas por ano nos EUA.

A Universidade Stanford requereu patente da tecnologia, e Dolmestch disse que vários laboratórios, como Pfizer, Roche e Amgen, manifestaram interesse em licenciar algumas das linhagens.

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