Cifras sobre criação de emprego 'maquiadas'

Contra os fatos, Obama turbinou criação de vagas e tomou crédito indevido pela queda no consumo de petróleo nos EUA

GLENN KESSLER , THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h03

Nos últimos discursos, os dois candidatos abusaram de afirmações que não têm base nos fatos. A seguir, um resumo do que foi dito por eles no fim da campanha. No dia 4 de novembro, Barak Obama discursou em Cincinnati, Ohio.

"Nossas empresas criaram 5,5 milhões de empregos", disse o presidente. Não é verdade: o ganho só se concentra no setor privado e vale só a partir de fevereiro de 2010. Segundo dados oficiais, o total de empregos criados durante o governo de Obama é marginalmente positivo ou negativo, dependendo se começamos o cálculo em janeiro ou fevereiro de 2009. A economia perdeu 818 mil empregos em janeiro, mas Obama só assumiu no dia 20.

Outra meia verdade: "Dependemos menos do petróleo de fora do que em qualquer outro momento dos últimos 20 anos", afirmou. Trata-se de uma tendência que é resultado do declínio do consumo, em razão da crise de 2008.

Obama prosseguiu. "Depois do presidente Clinton, tivemos oito anos de cortes de impostos para os mais ricos. Demos às seguradoras, às companhias petrolíferas e a Wall Street uma licença para fazer o que quisessem. E o que obtivemos foi queda das rendas, déficits recorde, o menor crescimento do emprego dos últimos 50 anos e uma crise econômica."

Não é verdade. O presidente Bill Clinton, na realidade, sancionou as leis que rejeitavam a separação de bancos comerciais e de investimento e retirou regulamentação de contratos de derivativos. Além disso, não há evidências de que os cortes de impostos de George W. Bush tenham levado à recessão. Outro falso mantra. "São mais US$ 5 trilhões de cortes de impostos que favorecem os ricos", afirmou Obama, em referência à proposta de Mitt Romney. No entanto, o plano fiscal republicano seria neutro em termos de receita. Romney afirma que começará eliminando brechas fiscais para os ricos, mas não deu detalhes sobre como fará isto, embora estudos digam que a matemática não fecha.

"Não transformarei o Medicare num sistema de voucher só para pagar mais cortes de imposto para milionários", disse. Os republicanos, porém, apoiaram uma reforma do Medicare, mas não pretendem que ela seja usada para cobrir cortes de impostos, mas sim para reduzir seus custos.

Por fim, uma citação adicional. "Após o ataque (a Benghazi), disse que descobriríamos o que ocorreu, que foi um ato terrorista, que caçaria os responsáveis", disse o presidente. Na realidade, essa é uma citação do segundo debate. A Casa Branca fez objeções quando dissemos que o governo não chamou a ação de "ataque terrorista" até pelo menos 15 dias depois e, portanto, o que disse Romney no debate estava correto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.