Ciganos búlgaros expulsos são rejeitados 'em casa'

Na periferia de Sófia, um cortiço vem sendo alvo de uma preocupação especial por parte dos moradores do bairro. É o edifício para onde foi levada parte dos ciganos expulsos da França nos últimos meses. De volta a seu país de origem, eles seguem discriminados e marginalizados. Seus novos vizinhos chegaram a fazer um protesto, alertando que não queriam se transformar em um gueto de ciganos.

Agência Estado

10 de outubro de 2010 | 10h17

Muitos dos que foram deportados - para Bulgária e Romênia - pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, dizem que só esperam alguns meses antes de voltar a tomar a estrada na direção da Europa Ocidental, em busca de melhores serviços públicos e empregos mais rentáveis.

Entre 10 milhões e 12 milhões de ciganos vivem pela Europa, a grande maioria na Romênia e Bulgária. Uma pesquisa de opinião feita na capital búlgara, Sófia, mostrou que 45% dos entrevistados apoiaram a decisão de Sarkozy de expulsar os ciganos. Só não querem que a expulsão signifique que essa população acabe em seu quintal.

"Ninguém quer ter ciganos em sua rua. Isso desvaloriza o preço de um apartamento e aumenta o risco de roubos", disse Momchil, um morador de Sófia. "Eles (ciganos) têm se reproduzido de uma forma impressionante", disse.

Segundo Bogomil Grozev, jornalista da rede BTV especializado no tema, o número de ciganos na Bulgária era de 300 mil. Hoje, já se fala em 1 milhão.

Nesta semana, a prefeitura da cidade de Haskovo, no sul da Bulgária, começou a desalojar dezenas de famílias de ciganos seus apartamentos. O argumento era de que não pagavam aluguéis havia anos. Uma das famílias estava com dívidas desde 1993.

Entre os ciganos, o sentimento é de que a rejeição não terá fim enquanto não houver uma política regional para lidar com seus interesses. Enquanto isso, continuarão jogando com as regras, barreiras e obstáculos criados pelos governos.

Stefan Angelov, que viveu em Lyon por dois anos e trabalhava no setor de construção, admite que recebeu cerca de 300 euros para deixar a França com sua família. Mas diz que apenas está esperando "baixar a poeira" para voltar para o país. "Lá, a saúde é melhor do que aqui e com o que ganhava podia até guardar um pouco de dinheiro. Na Bulgária não há trabalho, nem escola, nem saúde", disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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