Cinco ameaças maiores que o Irã

Há países mais fechados, instáveis e fortes que o dos aiatolás; Washington deveria redobrar sua atenção sobre eles

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2012 | 03h07

O Irã, especialmente o seu programa nuclear, será uma fonte de preocupação em qualquer governo, mas está longe de ser a única ameaça séria à segurança nacional dos EUA. Talvez nem esteja no topo da lista. Há outros países e perigos sobre os quais os eleitores americanos precisam refletir.

Paquistão. O país tem todos os problemas possíveis: terrorismo jihadista, conflitos étnicos, disputa de fronteiras, corrupção endêmica e um governo fraco que parece cada vez mais debilitado. Além disso, tem armas nucleares, cientistas que saem por aí para vendê-las e uma série de governos locais que abertamente apoiam o Taleban, entre outros movimentos repugnantes.

Durante os governos de George W. Bush e de Barack Obama, os EUA tentaram trabalhar com o Paquistão, sem nunca confiar no país - uma estratégia também adotada por Islamabad, que acredita com boas razões que os EUA são um aliado muito instável.

O Paquistão tem tolerado, ou apoiado, dependendo da opinião de cada um, ataques terroristas contra a Índia, o que levanta a possibilidade de uma guerra entre Estados detentores de armas nucleares. Uma guerra entre os dois poderá provocar milhares de mortes ou mesmo milhões se for um conflito nuclear. Os custos ambientais serão globais, com danos à agricultura e problemas de saúde que atingirão várias gerações.

Coreia do Norte. Talvez a única razão pela qual os EUA se concentram menos na Coreia do Norte é porque pouco se sabe sobre as condições desse país recluso. Sabe-se que tem armas nucleares e compartilha pelo menos parte da sua tecnologia com regimes como a Síria de Bashar Assad. Além de sua tremenda brutalidade, o regime norte-coreano, com frequência, provoca crises de política externa, como seus testes com mísseis, ou inicia alguma disputa com a Coreia do Sul para aumentar o apoio interno. O regime conseguirá sobreviver, apesar da economia empobrecida do país, da falência da legitimidade e de um sistema político terrível. O potencial para uma instabilidade grave ou mesmo uma queda do regime, porém, continua muito real.

China. Não é inimiga dos EUA. Tampouco é amiga. Os analistas com frequência usam eufemismos como "rival" e "oponente em potencial" para descrever as relações dos chineses com os EUA, mas nenhum rótulo define o país mais populoso do mundo, cuja economia cresce velozmente e já é a segunda maior do mundo. O Exército se expande e se torna de primeira classe (mais informações na página A21). A liderança é nacionalista e ávida para firmar a posição do país no mundo, porém, às vezes obstrucionista na resolução de problemas como a mudança climática ou a Síria.

Síria. Não só aumenta o número de mortes na Síria, mas os jihadistas estão tendo um grande papel na violência contra o regime. E, talvez mais aterrorizador, o fato é que Turquia e Síria estão se enfrentando, com troca de tiros na fronteira, Irã e Hezbollah estão enviando combatentes para ajudar o regime, Damasco tem apoiado os combatentes curdos na sua luta contra a Turquia, refugiados afluem para os Estados vizinhos às dezenas de milhares e a crise ameaça se estender por toda a região. Os vizinhos da Síria, Iraque e Líbano estão particularmente vulneráveis. Os dois países sofreram com guerras civis sectárias, têm governos muito fracos e nos dois existem facções que desejam ajudar os diferentes lados no conflito. Aliados-chave como Israel e Turquia podem ser arrastados para essa crise, enquanto a Al-Qaeda e outros terroristas se aproveitam.

EUA. Ok, não nos ameaçamos. Mas os déficits orçamentários e a falta de disposição para elevar impostos inevitavelmente levarão a cortes de gastos com defesa e inteligência. A população americana mostra-se relutante em fazer sacrifícios para uma política externa vigorosa. O apoio à ajuda externa diminui cada vez mais e guerras extenuantes no Iraque e Afeganistão deixaram os americanos cautelosos com os riscos de uma intervenção. Não é possível pensar nas ameaças externas sem reconhecer que os problemas domésticos definirão a resposta.

Em que lugar da lista fica o Irã é uma questão aberta. O regime iraniano é nitidamente hostil aos EUA e seus aliados regionais. Mas a liderança iraniana parece mais racional do que a da Coreia do Norte, o país é menos caótico do que o Paquistão e naturalmente seu poder econômico e militar é uma pálida sombra da China. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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