Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Cinco destaques do livro de John Bolton temido por Donald Trump

Ex-conselheiro de Segurança Nacional retrata um presidente mal assessorado, fascinado por autocratas e obcecado por sua reeleição, mesmo correndo o risco de colocar os Estados Unidos em perigo 

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 17h05

WASHINGTON - Em seu livro The Room Where It Happened (“A Sala Onde Tudo Aconteceu”, em tradução livre), a ser publicado terça-feira, 23, John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, retrata um presidente mal assessorado, fascinado por autocratas e obcecado por sua reeleição, mesmo correndo o risco de colocar os Estados Unidos em perigo. 

Veja cinco passagens principais do livro, com base em trechos publicados pela imprensa americana: 

Tudo pela reeleição

"Tenho dificuldade em encontrar uma única decisão importante de Trump, durante o tempo em que estive no cargo, que não tenha sido guiada por um cálculo de reeleição", escreve Bolton, que acusa o magnata de confundir "seus próprios interesses políticos e os interesses nacionais". 

Ele dá um exemplo avassalador: à margem da cúpula do G-20 em Osaka, em junho de 2019, Trump "surpreendentemente direcionou a conversa" com seu colega chinês Xi Jinping para a eleição presidencial dos EUA, implorando que ele o ajudasse a vencer, para que houvesse um aumento das compras agrícolas chinesas.

​'Basicamente inaceitável' 

Para Bolton, isso confirma "um comportamento basicamente inaceitável que destrói a legitimidade da presidência". O ex-conselheiro sugere boas razões para o impeachment de Trump, além do caso ucraniano do qual o presidente foi absolvido. 

Se os democratas "tivessem se dedicado a investigar o comportamento de Trump de forma mais sistemática em todo o espectro de sua política externa, o resultado da acusação poderia ter sido muito diferente", escreveu.

Flerte com autocratas

Segundo o livro, até a chegada do coronavírus, Trump nunca poupou elogios a Xi Jinping. "Você é o melhor líder chinês em 300 anos", disse ele a Xi, segundo Bolton. 

A esse flerte com um rival considerado por seu próprio campo como autocrata acrescenta-se, de acordo com o ex-conselheiro, um acentuado desinteresse pela defesa dos direitos humanos. 

Também em junho de 2019, "Xi explicou a Trump por que ele estava construindo campos de concentração em Xinjiang" para internar muçulmanos uigures. Trump aceitou seus argumentos, garante Bolton. 

O presidente também ataca jornalistas com uma virulência particular. "Eles merecem ser executados. São lixo", teria dito Trump, de acordo com o livro.

Sem norte

Bolton descreve um Trump obcecado por trivialidades, sem estratégia de longo prazo. 

Enquanto a aproximação com a Coreia do Norte fracassava após a cúpula de 2018 com Kim Jong-un, Trump estava preocupado em dar ao líder norte-coreano um CD com a música Rocket Man, assinado por Elton John, em referência ao apelido de que ele próprio colocou em Kim no momento mais crítico das relações bilaterais. 

Trump mostrou pouca cultura geral, como quando perguntou se a Finlândia ainda era "um satélite da Rússia" ou quando pareceu ignorar o status de potência nuclear do Reino Unido.

Criticado pelas costas 

Alguns de seus principais colaboradores tendem a elogiar publicamente o presidente, mas o criticam por trás, diz o ex-conselheiro. Esse seria o caso do secretário de Estado, Mike Pompeo

No meio da cúpula com Kim, o chefe da diplomacia americana passou a Bolton uma mensagem referente a Trump: "Ele só conta mentiras". Outro exemplo: quando John Kelly era chefe de gabinete de Trump, ele estava preocupado com o que aconteceria com o país se "com sua maneira de tomar decisões houvesse uma crise como a de 11 de Setembro" em 2001./AFP 

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