Cinco dos 33 mineiros presos no Chile podem sofrer de depressão

Segundo o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, é planejada uma terapia a distância com psiquiatra

AP

27 de agosto de 2010 | 17h05

COPIAPO (CHILE) - Cinco dos 33 mineiros presos há 22 dias em uma jazida de cobre e ouro no norte do Chile parecem sofrer de depressão. Segundo disse nesta sexta-feira, 27, o ministro da Saúde do país, Jaime Mañalich, autoridades médicas têm planejado uma terapia a distância com um psiquiatra.

Quando foi feito um filme sobre vida deles a 700 metros de profundidade, na última quinta, "cinco mineiros se recusaram a aparecer na tela, de modo que acreditamos que estão com depressão, para os quais iniciaremos nesta tarde uma terapia a distância'', afirmou Mañalich.

O ministro destacou que se têm alcançado avanços significativos no estado físico geral do mineiros, com o aumento de líquido e alimentos proteicos fornecidos a eles por meio de uma sonda aberta no último Domingo. Mañalich admitiu, porém, que o que mais preocupa as autoridades é a estabilidade emocional dos trabalhadores presos.

Atualmente, os mineiros recebem cerca de 1.200 calorias por dia com alimentos que chegam pela sonda. De acordo com Mañalich, espera-se que na próxima semana essa quantidade aumente gradualmente para 2.000 calorias.

O grupo já se encontra bem hidratado, superando um dos problemas mais sérios causados pelo longo confinamento em condições de alta umidade e temperaturas entre 29ºC e 30ºC.

O ministro informou que os exames de urina recolhidos com a ajuda de um mineiro com conhecimentos sanitários mostraram que não há infecções entre eles. Uma equipe para recolher amostras de sangue foi enviada nesta sexta-feira para completar os exames.

Por meio da sonda, também foi enviado aos mineiros um primeiro carregamento de roupas para que eles possam se trocar. Neste domingo, é planejado um segundo envio desse tipo.

Por essa estreita via, foram enviados sapatos via para substituir as pesadas botas que usavam na mina no momento do colapso que os deixou presos no dia 5.

O chefe da equipe de resgate, André Sougarret, informou que uma terceira sonda chegou ao fundo da mina. A perfuração foi concluída na madrugada desta sexta-feira, e os mineiros devem colaborar com o acesso, porque a broca se chocou com telas protetoras que devem romper-se para funcionar.

Sougarret disse que está avaliando a possibilidade de que essa terceira sonda, destinada a melhorar a ventilação, também seja parte de um plano B de resgate.

EsSa possibilidade poderia acelerar o resgate, estimado em 3 a 4 meses após a conclusão do gasoduto que deve começar a ser perfurado neste domingo ou na próxima segunda-feira.

Condições dentro da mina

Os 33 mineiros presos sobrevivem por 22 dias com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas. Dentro da mina, os mineiros contam com acesso a água e canais de ventilação.

O resgate será feito por uma perfuradora que abrirá caminho no solo. Andres Sougarret, chefe da operação, afirmou que o período para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens pode levar até 4 meses.

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