Cinco mil já morreram em repressão na Síria, diz ONU

Representante da França na organização afirma que o Conselho de Segurança é moralmente responsável por mortes

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h03

A alta-comissária para Direitos Humanos da ONU, Navy Pillay, afirmou ontem ao Conselho de Segurança que 5 mil civis já morreram na repressão do regime de Bashar Assad contra os protestos pró-democracia na Síria. Outras 14 mil pessoas foram presas e 12,4 mil fugiram para países vizinhos. A estimativa tem como base dados fornecidos pela oposição ao ditador.

"A última vez em que estive aqui na ONU, em agosto, disse que 2 mil pessoas tinham morrido. Agora já são mais de 4 mil. Vidas poderiam ter sido salvas se o conselho tivesse agido", disse. A diplomata evitou defender um determinado tipo de ação contra o massacre. EUA, França e Grã-Bretanha negociam uma resolução contra o regime de Assad, mas Rússia e China se opõem a qualquer tipo de condenação.

"Estou bastante chocado com o que ouvi sobre as atrocidades na Síria. São 5 mil civis mortos por pedir liberdades individuais", afirmou o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle.

O representante da França na ONU, Gérard Araud, disse ontem que o Conselho de Segurança é "moralmente responsável" pelas mortes provocadas pela repressão dos protestos na Síria, por causa da falta de condenação ao governo de Assad. Araud condenou o silêncio do Conselho de Segurança, que ele qualificou de "escândalo". A Rússia e a China vetaram uma resolução contra a Síria em uma reunião em outubro e até agora não voltaram atrás de sua posição.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que o relatório da alta-comissária "destaca a urgência do momento". "Por m eio de condenações feitas pela Assembleia-Geral e o Conselho de Direitos Humanos e as sanções adotadas pela Liga Árabe e a Turquia, os órgãos internacionais estão começando a unir sua severa desaprovação à Síria com passos concretos para acabar com a repressão", disse Rice. / AP

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