Cinco mineiros têm sinais de depressão, diz ministro chileno

Segundo o titular da saúde, os cinco dos 33 soterrados estão 'mais isolados e não estão se alimentando bem'.

BBC Brasil, BBC

27 de agosto de 2010 | 18h48

Pelo menos cinco dos 33 mineiros soterrados em uma mina no Chile apresentam sintomas de depressão, disse nesta sexta-feira o ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich.

As autoridades chilenas já fizeram análises dos problemas de saúde mais urgentes do grupo de trabalhadores e agora tentam avaliar a condição psicológica, por meio de análise das imagens dos vídeos gravados no abrigo onde estão os mineiros.

"(Os cinco que estariam com depressão) estão mais isolados, não querem aparecer no vídeo, não estão se alimentando bem (...). Eu diria que depressão é a palavra correta", afirmou o ministro.

"Hoje durante o dia (sexta-feira) vamos fazer uma entrevista psiquiátrica com os cinco que identificamos, que estão em uma situação de maior risco anímico (relativo à alma)", acrescentou.

Terapia

Jaime Mañalich afirmou que será iniciada "uma espécie de terapia à distância" com cada um dos cinco e destacou que "do ponto de vista emocional e psíquico, (...) ontem (quinta-feira), fizemos uma grande pesquisa de caráter psicológico com alguns dos monitores (designados entre os mineiros)".

No que diz respeito à saúde física dos mineiros presos a quase 700 metros, o ministro afirmou que a equipe está progredindo.

"Conseguimos hidratá-los adequadamente, foram entregues volumes suficientes de líquido, o fluxo urinário de cada um está adequado (...) Alguns desenvolveram quadros de diarreia, com a água que estavam bebendo lá, (...) foi pedido que não bebessem mais daquela água, eles atenderam e a diarreia está completamente superada agora."

Mañalich afirmou que nesta sexta-feira os trabalhadores estão consumindo cerca de 1,2 mil calorias, cada um, e o objetivo é que, no domingo, eles cheguem às 2 mil calorias, "com isso vamos poder iniciar uma fase de manutenção".

Perfuração

Os mineiros estão presos desde o dia 5 de agosto, quando o principal acesso ao túnel da mina ruiu. Eles conseguiram se abrigar em um refúgio, com acesso limitado a água e comida, a quase 700 metros de profundidade.

A sobrevivência dos 33 mineiros só foi descoberta mais de duas semanas após o acidente, quando uma sonda chegou ao local onde eles estavam e voltou com um bilhete dos trabalhadores.

O resgate dos mineiros, que estão recebendo alimentos, oxigênio e medicamentos por canos, poderá levar vários meses.

O responsável pela operação de resgate dos 33 trabalhadores, Andres Sougarret, afirmou que a perfuração de um túnel para a saída dos mineiros poderá começar já neste domingo.

Máquinas pesadas, vindas da Espanha e Austrália e incluindo um cilindro hidráulico de 29 toneladas, estão sendo montados no local.

Como será feito o resgate dos mineiros BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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