Natacha Pisarenko/Pool via REUTERS
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Por maior protagonismo de Cristina, ministros leais a ela põem cargo a disposição de Fernández

Ministros que propuseram renunciar são os de Interior, Eduardo 'Wado' de Pedro; Ciência e Tecnologia, Roberto Salvarezza; Meio Ambiente, Juan Cabandié; Desenvolvimento Territorial e Habitat, Jorge Ferraresi; e Cultura, Tristan Bauer

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 17h10

BUENOS AIRES - Cinco ministros do governo da Argentina colocaram nesta quarta-feira seus cargos à disposição do presidente do país, Alberto Fernández, após a contundente derrota do partido governista nas primárias do último domingo para as eleições legislativas de novembro, de acordo com fontes oficiais. A movimentação expõe as fraturas do governo, dividido em três principais facções internas, e pode dar mais protagonismo à vice-presidente, Cristina Kirchner, a quem os ministros são aliados.

“Cristina sem dúvidas está buscando mais poder, quer ter maior protagonismo. Não creio que ela sairá perdendo”, afirma o cientista político Facundo Galván, da Universidade de Buenos Aires. Ele afirma que o anúncio tem caráter simbólico. “Se Alberto quisesse depor seus ministros, ele mesmo o faria. É assim que o presidencialismo funciona. Há a questão de como fica a imagem do presidente com isso”, explica. 

Os ministros que propuseram renunciar são os de Interior, Eduardo "Wado" de Pedro; Ciência e Tecnologia, Roberto Salvarezza; Meio Ambiente, Juan Cabandié; Desenvolvimento Territorial e Habitat, Jorge Ferraresi; e Cultura, Tristan Bauer. O primeiro a anunciar publicamente a renúncia foi Wado, que enviou uma carta a Fernández manifestando as razões de sua decisão. "Ouvindo suas palavras no domingo à noite, quando você declarou a necessidade de interpretar o veredicto dado pelo povo argentino, considerei que a melhor maneira de colaborar com esta tarefa é colocar minha renúncia à sua disposição", disse o ministro na carta, que foi distribuída à imprensa. 

Segundo o chefe de Desenvolvimento Territorial e Habitat, Jorge Ferrari, as outras renúncias também foram comunicadas a Fernández na última segunda-feira. "Conversamos com o presidente e, de uma forma ou de outra, todos os ministros renunciamos", disse Ferraresi em uma entrevista à emissora de rádio Con Vos na qual ele tentou minimizar a importância destes anúncios.

"O que deve ser dito é que a renúncia de alguém é assinada a partir do dia em que toma posse, a renovação de nossa gestão é dia a dia. Alguns o fizeram por escrito, outros de boca, mas todos os ministros tiveram a atitude de comunicar ao presidente que ele dispunha de espaço (para demiti-los) se considerasse apropriado", afirmou. Ainda não se sabe se Fernández aceitará ou não essas renúncias.

Para Galván, é importante estar atento ao que acontecerá ao gabinete presidencial nos próximos dias. “Se surgirem novos nomes, o que é provável, devemos olhar para quem são. Fazer um mapa com as pastas para saber quais ministros e governadores respondem à Kirchner, quais respondem a Alberto e quais respondem a Sergio Massa (líder da Câmara dos Deputados)”, afirma. “Também é importante saber o que esses membros irão propor: se vão tentar reverter ou melhorar a situação de alguma forma, se vão tentar encurralar a oposição ou desarrochar uma política pública que agrade a classe média”, diz. 

As primeiras eleições de Alberto enquanto presidente foram vistas por analistas políticos argentinos como um plebiscito sobre seu mandato - marcado por medidas de combate à pandemia de covid-19 e a uma recessão econômica que começou em 2018 - e uma oportunidade para a oposição mostrar força antes das eleições presidenciais de 2023.

De acordo com a contagem provisória dos votos das primárias do último domingo, as listas de pré-candidatos a deputado da coligação governista Frente de Todos foram as mais votadas em apenas 7 das 24 províncias, e as da coalizão opositora Juntos pela Mudança levaram a melhor em 14.

Já em relação às listas para o Senado, a Frente de Todos só ganhou em 2 das 8 províncias onde houve o pleito. Em 14 de novembro, 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados - onde nenhuma bancada conta atualmente com maioria absoluta - estarão em disputa, assim como 24 das 72 do Senado, onde a coligação governista é majoritária. /Com EFE

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